A gestão da saúde nas cidades na pós pandemia

A atual pandemia, sem dúvida a maior crise sanitária dos últimos 100 anos, testou a resiliência e a capacidade do SUS, particularmente nos sistemas municipais, dando extrema visibilidade aos desafios da saúde pública no país. O SUS, apesar de desprestigiado, se saiu bem, diga-se de passagem. Mas as atuais e as novas autoridades recém eleitas nos municípios deverão enfrentar demandas crescentes da opinião pública sobre tal assunto. A situação atual aniquilou muitas das expectativas existentes anteriormente e colocou no cenário novas questões . O certo é que ela vai passar e é hora de perguntar o que virá depois . A este respeito, trago aqui um documento que julguei de grande valor, qual seja uma Agenda Saúde na Cidade, tendo como alvo os novos gestores da saúde municipal, com mandatos a partir de 2021, mas de interesse também de todos aqueles que contribuem para a formulação e a gestão de políticas municipais de saúde. É uma agenda de propostas factíveis e tecnicamente corretas para organizar a prestação de serviços de saúde a partir da Atenção Básica, particularmente no cenário pós Covid-19. Ela é válida para o DF também, pois na prática não somos mais do que uma grande cidade. E é bom lembrar que teremos eleições daqui a dois anos.

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É preciso criminalizar o negacionismo

Vivemos em tempos tão estranhos… Umberto Eco de certa forma já os anteviu, quando disse que a internet deu voz e notoriedade a uma multidão de imbecis, até então calados e recolhidos à sua platitude. Esta pandemia, porém, ampliou o conceito, liberando as manifestações de uma manada de insensatos insipientes e conferindo crédito às suas eventuais eructações. O atual Presidente da República e seu séquito não me deixam mentir. Ouvi há algum tempo, aliás, um dos generais que dá expediente no Palácio do Planalto, dizer que não via nenhum problema em se ensinar o criacionismo nas escolas, eis que isso era apenas uma das várias versões existentes sobre a origem do homem. Para a “teoria” da terra plana certamente seria a mesma coisa. Assim, na visão desse grupo, o fenômeno da “gripezinha”, o uso da cloroquina, o endosso a aglomerações, a origem “comunista” do vírus, a decisão de salvar primeiro a economia, a ocupação militar do Ministério da Saúde, além de outras “verdades” estabelecidas por saturação nas redes sociais e na propaganda oficial, seriam versões ou opiniões, porém validadas implicitamente pela ausência de provas contrárias. Entenda-se por “provas” aquilo que já estaria incorporado ao discurso oficial; fora disso, é puro mimimi. E assim, la nave va. Mas agora, mais do que nunca, é preciso ouvir o que gente realmente séria está pensando e falando, seja sobre a pandemia, a economia, a democracia, além de outros temas. E assim trago aqui uma economista que tem respeito internacional, Monica De Bolle. Ela é brasileira, pesquisadora do Peterson Institute for International Economics e professora da Johns Hopkins University, tudo isso in USA. Para os bolsonaristas, que consideram como “intelectual” e “filósofo” um astrólogo boquirroto e dinheirista refugiado nos EUA, Monica não passaria de mais uma comunista impatriótica. Mas deixa pra lá.

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Ações da SES-DF (enquanto a pandemia rola…)

Estamos longe de um respiro na atual pandemia, mas afinal a vida continua e outras coisas na saúde devem continuar a ser feitas, eis que o único problema que temos no horizonte certamente não é o do coronavirus. Mas antes de ir ao foco de hoje, alguns dados sobre a pandemia em nossa cidade: são 198.807 casos confirmados e 615 casos novos, até o dia 8/10, com 3.398 mortes, sendo que sete óbitos foram confirmados só nesta última sexta-feira. Quanto aos leitos de UTI disponíveis para COVID-19, eles são, na rede pública, 509, com um pouco mais da metade ocupados; na rede privada são 224, com 155 estão ocupados. Enquanto isso, no Brasil, temos são 5,1 milhões de casos confirmados e 149.639 mortes. Mas enfim, enquanto isso acontece, o que vem fazendo o GDF, com foco neste e nos outros problemas que afetam a saúde na cidade? Para saber dos problemas, poderíamos recorrer à mídia local e certamente se falaria lá de filas de espera, falta de funcionários, carência de materiais etc. Mas tentei encontrar aquilo que o governo de fato está fazendo, ou pelo menos o que divulga, na página da SES-DF, em uma amostra dos últimos 10 dias.

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Corrupção na Saúde: tem jeito?

Leio e ouço na mídia que toda a cúpula da Secretaria de Saúde do DF foi exonerada. Não tanto preventivamente, porque uma parte dos atingidos já tinha processos em andamento contra si. Não excluo a possibilidade, também, de que essa demissão em massa sirva para juntar alguns inocentes ao rol dos verdadeiros culpados, como o papel que acompanha o bombom que se bota fora. Repete-se assim, também aqui no DF – e não de forma inédita – um acontecimento que virou triste rotina em quase toda parte do Brasil. E quem achava que o estado de emergência desencadeado pela Pandemia poderia amainar tais propensões para o peculato, se enganou, pois o que se vê, junto com o aumento de infectados e de mortos pela Covid 19, é uma escalada das operações policiais, judiciais e administrativas relativas aos desvios. É imoral, claro, roubar diante de uma situação de ameaça à saúde pública, mas é bom lembrar que fora disso também o seria. Conclusão: é algo imperdoável, de fato. Ibaneis posa agora de justiceiro destemido, de dirigente que não tolera a corrupção, de defensor intransigente da coisa pública. Mas isso não resiste a um olhar mais agudo. Esta turma toda foi nomeada por ele e até bem pouco tempo atrás gozava de total prestígio. Será que só agora o governador descobriu os malfeitos que que vinham praticando, desde longa data? Mas a grade questão é: seria possível evitar a nomeação de gente assim tão “descuidada” para ocupar cargos públicos? Eu acho que a resposta é positiva, quase sempre – acompanhem meu raciocínio.

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De Porteiros e Navegadores

No preâmbulo do livro seminal de Barbara Starsfield sobre Atenção Primária à Saúde há uma frase de paciente que é altamente reveladora de um dos grandes dilemas dos sistemas de saúde atuais, ou seja, em tradução aproximada: eu já passei por muitos médicos, mas queria ter apenas um, que juntasse tudo. Acho que todos nós somos testemunhas disso, se não em termos pessoais, com certeza em relação a nossas famílias, nossa rede de conhecidos ou nos serviços de saúde com os quais interagimos profissionalmente. Com efeito, um dos resultados mais nocivos da fragmentação que caracteriza os serviços de saúde atuais é exatamente a contradição entre a escassez, por um lado, e a multiplicidade, por outro, dos meios utilizados na assistência, não levando à produção satisfatória de indicadores de saúde, ao conforto dos pacientes, à facilitação da vida dos que prestam serviços, além de acarretar custos enormes aos processos relativos à assistência. É um antissistema de antisserviços, sem dúvida, que na verdade não interessa a ninguém. Mas será que existem soluções? Examinemos uma possibilidade. É algo que interessa diretamente a prestação pública de serviços de saúde, inclusive aqui na nossa cidade. Continue Lendo “De Porteiros e Navegadores”