Um breve retrato da Segurança Pública no Brasil

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 apresenta um panorama completo e confiável sobre a situação da violência no Brasil. De forma até certo ponto contraintuitiva vê-se que ocorreu queda histórica dos homicídios, mas ao mesmo tempo aumento de feminicídios e crimes digitais, com oscilações para cima na letalidade policial. Demonstra-se que o Brasil, atualmente, atingiu a menor taxa de Mortes Violentas Intencionais (MVI) desde 2012, com 40.775 casos, representando uma queda de 8% em relação a 2024, e uma taxa nacional de 19,1 mortes por 100 mil habitantes, abaixo da meta estabelecida pelo Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) para 2027 (16 homicídios por 100 mil habitantes). Em relação à violência contra Mulheres e Feminicídios, a situação é menos favorável: quatro mulheres assassinadas por dia em média, com aumento de 17% em violência psicológica, 30% em stalking e 17% em descumprimento de medidas protetivas. E mais, os lares continuam sendo ambientes de alto risco para mulheres, crianças e adolescentes. Em termos da letalidade provocada pela ação policial e das próprias mortes de agentes policiais, estas subiram 13,5% no país. Neste quesito, o estado do AP lidera, pelo 7º ano consecutivo, com 17,1 mortes por 100 mil habitantes, enquanto nas mortes violentas de policiais o RJ mostrou aumento de 82,1%, enquanto o total nacional de policiais mortos caiu. Há um novo tipo de crime no cenário, qual seja aqueles de natureza digital ou voltados contra o patrimônio das pessoas, com aumento expressivo em anos recentes. Golpes e fraudes digitais aumentaram 430% desde 2018, tornando-se a principal forma de crime contra o patrimônio. Em estelionatos, por exemplo, SP lidera, com cerca de 1.800 casos de estelionato por 100 mil habitantes, seguido pelo DF e PR. Na violência contra crianças e adolescentes há dados inéditos e impressionantes, por exemplo, a produção, posse e distribuição de material de abuso sexual infantil, com 4.063 vítimas em 2025, sendo 34,2% dos autores adolescentes.  Crimes não letais, como abandono, maus-tratos e agressões domésticas, também apresentaram crescimento significativo, evidenciando a necessidade de políticas de proteção mais eficazes. As UF mais violentas são AP, BA e CE; as menos violentas: SC e SP. Em termos de cidades, as mais violentas são Maranguape (CE), com mais de 100 mortes violentas por 100 mil habitantes, seguida por Eunápolis (BA) e Maracanaú (CE), Estando Brasília bem longe disso.

O Anuário destaca que os estados aumentaram os gastos com segurança pública em 26% nos últimos dez anos, refletindo esforços para reduzir homicídios e melhorar a proteção da população. Nele está disponível um diagnóstico detalhado da violência no Brasil, destacando avanços na redução de homicídios, mas alertando para o crescimento de feminicídios, crimes digitais e letalidade policial, servindo como ferramenta essencial para transparência, formulação de políticas públicas e monitoramento de indicadores de segurança, sendo referência para gestores, pesquisadores e sociedade civil.

Na próxima edição deste blog detalharemos e analisaremos resultados que têm como foco o Distrito Federal  

Quer saber mais? Acesse: PLANILHA Anuario Brasileiro de Seguranca Publica 2026.xlsx

Seria Brasília uma cidade violenta?

Já tratei de tal assunto aqui no blog outras vezes, geralmente aproveitando a edição periódica do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. É hora de atualizarmos as informações, portanto. A primeira linha deste post propõe a questão e a resposta para ela é a negação. Brasília (e o DF como um todo), NÃO são lugares violentos. Mas não devemos nos contentar com tal resposta, pois ela vale apenas na comparação com a realidade brasileira. Se o fizermos com outros países estaríamos muito mal na fita, como se verá adiante. Não nos é possível, realmente, bater no peito e dizer amém, a não ser, na melhor das hipóteses, por ingenuidade, ou, na  pior delas, por má fé. Vamos aos dados. No Brasil: foram registradas 40.775 mortes violentas intencionais (MVI) em 2025, o que representa uma taxa de 19,1 mortes por 100 mil habitantes, aliás, a menor taxa na última década, representando queda de pouco mais de 8% em relação ao ano de 2024.  Isso parece ser o resultado de políticas públicas adequadas, embora contrabalançadas pela tendência armamentista bancada pelo governo anterior. Apesar de tal queda no âmbito nacional, algumas das UF tiveram na verdade aumento das MVI, como foi o caso de RN, RO, RR, AC, MS e RJ, além do próprio DF. Aqui em nossa casa foram registradas nada menos do que 287 MVI, um aumento de 5,8% em relação ao ano anterior, representando uma taxa de 9,6 por 100 mil habitantes, contudo bem abaixo da média nacional, que foi 19,1. No DF, foi também expressiva a variação entre homicídios de mulheres e feminicídios, estes últimos os crimes realizados por razões de gênero. Aqui, dois terços de tais crimes pertencem a esta segunda categoria, estando acima da média nacional. Quanto a este aspecto, em 2025, em termos nacionais, houve redução de 5,5% nos homicídios contra mulheres, enquanto os feminicídios propriamente ditos cresceram 4%, com o feminicídio perfazendo 44% do total, a maior proporção desde a emissão da Lei do Feminicídios em 2025. Vejamos agora os dados mundiais.

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De baratas, banheiros, banners e bebedouros – o que realmente importa na avaliação de um Serviço de Saúde?

Há algum tempo, o egrégio Conselho Federal de Medicina, que se notabilizou na babação de ovo junto ao (des)governo Bolsonaro, divulgou um levantamento realizado por suas instâncias regionais (CRM), relativo a visitas de avalição que ocorreram a alguns milhares de unidades de saúde. O cenário era de fato assustador, marcado por problemas de infraestrutura, condições de higiene precárias e falta de equipamentos básicos. Do total de estabelecimentos visitados durante o período, 24% apresentavam, na data da fiscalização, mais de 50 itens em desconformidade com o estabelecido pelas normas sanitárias. Assim, em nada menos do que 81 unidades de saúde não havia consultório; em 268, não havia sala de procedimentos/curativos; 551 não tinham recepção/sala de espera; 34% dos locais vistoriados não possuíam sanitário adaptado para deficiente; 18% não tinham sala de expurgo/esterilização; 16% não possuíam sala de atendimento de enfermagem; 13% não dispunham de farmácia ou sala de distribuição de medicamentos. E vai por aí a fora… Pior do que isso, só dois disso.

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O dia em que fui homenageado pela homenageada

Tentando resumir o que aconteceu comigo nesta última semana, fui arrebatado por um encontro entre o previsível e o surpreendente… Comecemos pelo primeiro termo. A Universidade de Brasília resolveu homenagear alguns de seus ex alunos, que se notabilizaram em atividade profissional, social ou científica. Na verdade, trata-se de coisa inédita, embota devesse ser previsível, porque a corporação universitária (como a dos médicos e dos advogados, entre outras) é muito voltada para si mesma e quando homenageia alguém é dentro daquele famoso rótulo de honoris causa, ou seja, acaba contemplando quem até pode ser uma pessoa “de fora”, mas com toda possibilidade pertencente à mesma geração e estatuto social dos homenageantes.

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Vacinar ou não vacinar: o que está em jogo?

Teria sido um mundo ideal aquele que conhecemos até algum tempo atrás? Poderia me estender sobre diversos tópicos, mas falarei hoje do ato de vacinar, que virou um gesto cheio de meandros, suspeições, supostos perigos. Quando nada, dentro de um território de ideologia ou crença religiosa. Quando garoto, nos anos 50, fui testemunha ocular (além de potencial vítima) de dois grandes flagelos sanitários, hoje dominados (embora já não se saiba até quando): a varíola e a poliomielite. Com efeito, era relativamente comum ver gente de todas as idades com diversos graus de paralisia pelas ruas, e mesmo nas escolas onde estudei. Parecia fazer parte da paisagem. Havia também pessoas profundamente marcadas pelas cicatrizes da varíola na pele ou no rosto, sem contar aqueles que tinham falecido ou ficado cegos. Muitos desses aí estavam nos cemitérios, outros recolhidos em casa, e assim ficavam, por assim dizer, invisíveis aos olhos gerais. Nem que fosse por tais motivos tão óbvios e assustadores, a afetar colegas de escola e vizinhos de muro ou de corredor, as pessoas se vacinavam. Vacinar, então, fazia parte de um verdadeiro cardápio de cuidados nas famílias, com as eternas mães zelosas a garantir que isso fosse cumprido à risca pela filharada e mesmo pelos demais membros da família. Na ocasião, seria um fato absolutamente excepcional algum político ou pastor se meter em tal história. mas isso mudou em tempos recentes, como todos sabemos…

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