A atenção básica é essencial no controle da Covid-19, no DF e em toda parte (mas sem informação não há solução…)

A OPAS – Organização Panamericana de Saúde, representação nas Américas daquela mesma Organização Mundial da Saúde que Trump rejeita, com a devota imitação de seu admirador tropical, todavia segue incólume no Brasil e vem organizando uma série de debates on-line (pois afinal estamos, ou deveríamos estar em quarentena…), inclusive com a participação do público, sobre o protagonismo da atenção primária à saúde no enfrentamento da atual pandemia. São apresentadas e debatidas experiências de diversas partes do Brasil, inclusive daqui do DF. Tentei levantar dados, pelo menos quantitativos, sobre o estado atual da Atenção Básica em nossa cidade, mas nem no site da SES-DF, nem no do Ministério da Saúde está sendo possível encontrar este tipo de informação. Isso deve ser bem uma demonstração do apreço e da valorização que se dá no momento atual a esta ferramenta que no mundo todo representa um inequívoco fator de sucesso no controle da pandemia. Conheça a seguir algumas das experiências já apresentadas e discutidas na referida programação da OPAS, dentro de uma iniciativa chamada, muito apropriadamente, aliás, de APS Forte no SUS. As apresentações e debates sobre estes seis casos poderão ser vistos no link ao final. Continue Lendo “A atenção básica é essencial no controle da Covid-19, no DF e em toda parte (mas sem informação não há solução…)”

Covid-19 no DF: cadeia de responsabilidades x responsáveis na cadeia

E segue a pandemia. A imprensa insiste em mostrar números absolutos de casos e mortes, como se fosse um placar esportivo, mas não custa nada insistir que só se pode comparar taxas que explicitem o denominador, ou seja, o número de habitantes dentro do qual se contam as pessoas adoecem ou morrem. Números absolutos não dizem muita coisa, embora frequentemente choquem. Os dados mais recentes mostram que na taxa de mortalidade no DF permanece em posição intermediária entre as capitais mais populosas do país, bem melhor do que Recife, Fortaleza, Belém e Manaus, por exemplo, mas muito pior do que Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e mesmo Goiânia. Na incidência de casos por 100 mil habitantes, a taxa do DF é superior à de todas as outras capitais analisadas: aqui 2286; em seguida vem Belém com 1538; São Paulo, 1324. Sem deixar de admitir a sub notificação, que só joga tais números para cima. Mais um dado a respeito da atual situação: um modelo estatístico desenvolvido por pesquisadores da USP (Vicente e Veiga – ver link abaixo), baseado na evolução dos casos em cada local, em períodos de 30 dias, mostra que a situação do DF ainda é de crescimento acelerado da pandemia. Deveríamos ter indicadores melhores, por certo, pois em comparação com o restante do país temos uma boa rede de serviços de saúde; uma renda per capita acima da média nacional; distâncias curtas; boas vias de acesso; escolaridade geral alta; altas taxas de profissionais de saúde por habitantes, em todas as categorias; inexistência de localidades inacessíveis, ribeirinhas ou no fundo de florestas, por exemplo. E ainda fomos os primeiros a baixar medidas de quarentena. Assim, surpreende totalmente que o GDF esteja relaxando as medidas de proteção. Ou melhor, oscilando nas determinações normativas, “dando uma no cravo outra na ferradura”. Mas a culpa de tal situação epidemiológica precária seria só do governo que temos? Continue Lendo “Covid-19 no DF: cadeia de responsabilidades x responsáveis na cadeia”

Covid-19: lembrem-se do exemplo… (de quem faz a coisa certa).

O exemplo a ser lembrado aqui não é o das Mulheres de Atenas, de Chico Buarque (na verdade um contraexemplo). Ele vem de pelo menos uma cidade brasileira e também de um país latino-americano, que de fato estão fazendo a coisa certa no controle da atual pandemia. Afinal, felizmente, nem tudo o que temos assistido, nos últimos tempos, é aquilo que Drummond considerou como “um vácuo atormentado, um sistema de erros”. Coisa que, aliás, a realidade do Brasil, nos impõe a toda hora. Pois bem, o país é o nosso vizinho ao Sul, ele mesmo, El Paisito, nossa antiga Província Cisplatina, o Uruguai. E a cidade é São Caetano do Sul, de prováveis muitas misérias, mas mesmo assim dando exemplos a cidades mais ricas e teoricamente mais governáveis.  Continue Lendo “Covid-19: lembrem-se do exemplo… (de quem faz a coisa certa).”

Leitos de UTI no DF: uma crise, dentro da outra crise, dentro de mais uma crise…

Covid 19 no DF: nunca se viu algo assim.  Parecia que tudo ia bem, mas de repente, as medidas de proteção são relaxadas antes da hora; os testes diagnósticos foram adquiridos e usados de maneira equivocada; as mortes se aceleraram; os casos novos galoparam; os leitos de UTI já não dão para o gasto; as informações dentro da própria máquina de governo enlouqueceram. E o Buriti se espelha no Alvorada: um secretário é trocado em plena crise o governador desfila sem máscara (ou quem sabe, lhe caiu a máscara?).  Tudo isso lembra aquelas bonecas russas em série, as matriochkas, que se encaixam uma dentro da outra e vão revelando aquele “museu de grandes novidades”, de que falava Cazuza. No caso, aqui no DF, novidades de má catadura. As bonecas-mães (matriochka = “mãezinha”), atendem pelos nomes de Jair Messias e Ibaneis Rocha, não nos esqueçamos. Foram feitas, ao que parece, uma sob medida para a outra. Aliás, o nosso governador lembra aquele nosso colega de escola que acertava as perguntas no professor no início, mas logo descambava para a mais completa ignorância, afinal reveladora de quem realmente ele era. Personagem de programa humorístico, talvez, mas no caso, totalmente sem graça. Mas vamos ao que interessa: a bola da vez são os leitos de UTI…

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O alto risco dos profissionais de saúde na atual pandemia

A “gripezinha” continua matando gente, aos montes, e os profissionais de saúde, particularmente da Enfermagem, que mantêm contato mais próximo com os pacientes nos hospitais e ambulatórios, estão sofrendo horrores com isso, inclusive com muitas mortes. Acabo de ler o resultado de uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas sobre os riscos à saúde que a atual pandemia tem levado às enfermeiras e enfermeiros no Brasil. É de arrepiar. Apesar disso, um desses pleonásticos bolso-loucos ainda foi capaz de agredi-los diretamente numa manifestação em Brasília. Coisas deste país em des-governo. Leia mais. Continue Lendo “O alto risco dos profissionais de saúde na atual pandemia”