Saúde na mídia/DF: março 2018

 

O cenário das notícias em maio mostra a atenção básica como principal referência. Ótimo! Não há como negar que a atual gestão procura investir nessa que é não apenas uma modalidade de atenção ou uma especialidade, mas simplesmente a chave para a organização racional de serviços de saúde. Em todo o mundo, diga-se de passagem. E não precisamos mais falar só de Cuba ou da Inglaterra, porque também o Canadá, em Portugal, na França, em países (pobres) da África e em muitos outros lugares, inclusive muitas cidades brasileiras, tem sido assim. A atenção primária como coordenadora da rede de serviços., sem exagero, é de fato um marco civilizatório em saúde. Mas o DF ainda precisa caminhar muito. A chamada “conversão” de médicos e outros profissionais à Saúde da Família ainda não tem duração suficiente para mostrar se está sendo realmente efetiva. Resta saber, inclusive, se tem havido sinceridade por parte de quem aderiu ao processo, ou se trata apenas de uma adaptação pragmática de tais profissionais. Boa notícia é a ampliação do atendimento em cerca de 40 unidades básicas de saúde nos sábados, até meio dia, pelo menos. Resta saber quando haverá também atendimento noturno nos dias de semana, algo que interessa de perto à população trabalhadora, particularmente às mães de família. Pode ser um bom sinal, também, o fato de que em março não houve registros, pelo menos na mídia, de mortes por demora ou omissão de atendimento, bem como fechamentos de serviço à última hora, como costuma ser comum por aqui.  A CLDF resolveu agir, exigindo mudanças na política de saúde mental, mas dado o prontuário histórico da Casa pode ser apenas disputa política, associada a interesses corporativos. No mais, os temas de sempre: trânsito e febre amarela, por exemplo. Leia um resumo das notícias sobre SAÚDE NO DF em março de 2018, a seguir. Continue Lendo “Saúde na mídia/DF: março 2018”

Sobre a má distribuição de médicos no DF: algumas hipóteses

O Conselho Federal de Medicina, com o apoio institucional do Conselho Regional de Medicina de São Paulo, acaba de lançar a versão 2018 do estudo Demografia Médica, com valiosas informações sobre o número e a distribuição de médicos no Brasil. Entre outras constatações do estudo, podem ser destacadas: (a) é inédito o crescimento da população médica brasileira que ocorreu nas últimas décadas, sendo que o total de médicos aumentou em ritmo três vezes maior do que o de cidadãos brasileiros; (b) continua grande a concentração de profissionais nas regiões mais desenvolvidas, nas capitais e no litoral; (c) só o estado de São Paulo concentra 21,7% da população e 28% do total de médicos do País; (d) o Distrito Federal tem a razão médicos por mil habitantes mais alta do país; (e) entre os quase meio milhão de médicos há cada vez mais mulheres e jovens entre eles; (f) as capitais têm quatro vezes mais médicos do que os municípios do interior; (g) seis em cada dez médicos no país possuem pelo menos um título de especialista e apenas quatro especialidades concentram 39% dos especialistas do país. Continue Lendo “Sobre a má distribuição de médicos no DF: algumas hipóteses”

Carta de Brasília: água como bem público e direito de cidadania

Como somos um blog voltado para as questões de saúde de uma cidade que vive a maior crise hídrica de sua história e que, ao mesmo tempo, abrigou um Fórum Mundial sobre a Água (março de 2018) não podemos deixar de destacar algumas das conclusões do mesmo. Assim, juristas que participam do evento aprovaram um documento de posição, a “Carta de Brasília”, na qual são traçadas dez diretrizes para o reconhecimento do acesso à água como direito humano essencial, documento que deverá orientar magistrados de todo o mundo no julgamento de casos relacionados ao acesso da população à água. Continue Lendo “Carta de Brasília: água como bem público e direito de cidadania”

Marielle, a Saúde da Família e nós…

Visto assim, de relance, um assunto parece ter pouca coisa a ver com o outro. É até provável que Marielle Franco, como pessoa bem informada e do bem que era, fosse uma defensora dessa estratégia de saúde. Mas pouco sei sobre isso. Conheci Marielle, como talvez a maioria dos brasileiros, no dia seguinte em que foi barbaramente assassinada. O foco presente é a pobre cidade do Rio de Janeiro, ainda maravilhosa na paisagem, mas tenebrosa quanto a muitas coisas mais, por exemplo, na violência e na sanha corrupta de muitos de seus agentes políticos e membros da máquina pública. Eis que vejo na imprensa, quinze dias após Marielle ter sido eliminada, que nada menos do que 150 equipes de saúde da família da cidade do Rio já ficaram sem médicos, que estão se demitindo em massa. E diz mais a matéria:  “pacientes voltam à fila da emergência”. Procurada pela reportagem, a Prefeitura do Rio de Janeiro não respondeu sobre o pedido de demissão dos médicos, nem sobre o plano para novas contratações… Fila da emergência e nada a declarar: eis uma síntese da situação carioca… Continue Lendo “Marielle, a Saúde da Família e nós…”

O SUS que dá certo (também no DF…)

A Secretaria de Estado de Saúde do DF promoveu, em novembro pp,  uma grande mostra de experiências em diversos campos das práticas de saúde, realizadas em suas unidades ambulatoriais, hospitalares e complementares, além de instituições parceiras e associadas. Sem dúvida, o evento, demonstrou que, mesmo em tempos de crise, ainda é factível pensar e implementar instrumentos para o aprimoramento dos processos de trabalho na gestão e na atenção à saúde. Continue Lendo “O SUS que dá certo (também no DF…)”