Anuncia a SES-DF (ver link ao final) a comemoração dos 30 anos de um programa denominado “Farmácia Viva”, que associa a fitoterapia como opção adicional aos procedimentos terapêuticos já disponíveis na rede local de serviços públicos de saúde. Segundo a SES-DF, os medicamentos naturais de tal “Farmácia Viva” já beneficiaram mais de 300 mil pacientes. As plantas utilizadas são cultivadas em uma das unidades do sistema, no Riacho Fundo I, onde ocorrem os processos de plantio, colheita, triagem, secagem e extração química, após o que podem os produtos serem utilizados em forma acabada ou como matéria-prima para a produção de outros remédios. As ofertas atuais são de babosa, boldo, confrei, funcho, alecrim pimenta, guaco e erva baleeira, estando em testes uma nova planta, com suposto efeito nos estados de ansiedade, denominada “colônia”. Assim, duas dezenas de unidades de saúde, inclusive um hospital, já recebem esses medicamentos, que em 2018 chegaram a 25 mil unidades produzidas e distribuídas. Para retirar os remédios, é necessário receita de médico, enfermeiro, fisioterapeuta ou nutricionista – menos mal. Visto assim, de forma singela e até ufanista, parece ser uma solução ideal. Mas, como tudo na vida, as coisas são muito mais complexas e controversas do que transparece no discurso oficial. Continue Lendo “Práticas alternativas, integrativas, complementares e não custa indagar: também efetivas?”
Mais médicos, mais do mesmo?
Após desqualificar ideológica e tecnicamente os profissionais cubanos que trabalhavam no Brasil através do Programa Mais Médicos, levando à ruptura unilateral da cooperação técnica, o desgoverno Bolsonaro se deu conta da estupidez de tal medida e agora procura um jeito de consertar mais este seu mal feito. Assim, o Ministério da Saúde admite que existem mais de seis milhões de pessoas a descoberto em matéria de saúde no Brasil, em quase oitocentos municípios com altos índices de vulnerabilidade, e que elas deverão ter de volta sua assistência médica em Atenção Primária. É claro que não se fala em reparar a perda de quase um ano na assistência dessas pessoas. Desta vez, se vai priorizar a participação de médicos formados e habilitados, com registro em qualquer CRM do Brasil, bem como eventuais titulações de especialistas ou portadores residência médica em Medicina da Família e Comunidade. E aos cubanos, antes demonizados pelo ativismo ideológico bolsonarista, poderão finalmente entrar com pedido de autorização para morar no Brasil por dois anos, tempo que pode ser estendido de forma indeterminada, de forma a “atender ao interesse da política migratória nacional”, conforme ato assinado pelos notórios Sérgio Moro e Ernesto Araújo. Mas não para trabalhar como médicos, embora isso tivesse sido também cogitado. Continue Lendo “Mais médicos, mais do mesmo?”
Será que este Governo pode “cometer” acertos?
Deste governo federal altamente eficiente em, digamos, errar o alvo de seu Golden Shower (ou, para os entendedores menos capciosos, urinar fora do local apropriado…), a produção de algum fato positivo é digna de menção. Este parece (por enquanto, pelo menos) ser o caso do anúncio das mudanças nos critérios de financiamento da atenção básica pelo SUS, anunciadas recentemente pelo Ministério da Saúde. A proposta é que o repasse de recursos aos municípios leve em conta também o quantitativo de pessoas cadastradas nas equipes de Saúde da Família, além do desempenho das mesmas, considerando ainda indicadores de qualidade da atenção. Além disso, espera-se contemplar com tal modelo aspectos como a vulnerabilidade dos usuários do sistema e a distância dos municípios em relação aos grandes centros. A discussão está começando e já gera polêmica. Alguns acham que ela compromete o princípio da universalidade do SUS; outros, que ela corrige distorções e servirá para aferir a real cobertura de tal modelo de atenção. Continue Lendo “Será que este Governo pode “cometer” acertos?”
Crise da Saúde no DF: tem jeito?
O Correio Braziliense visitou algumas unidades de saúde do DF e pediu a especialistas que propusessem medidas para ajudar a resolver os problemas do setor, identificados preliminarmente como infraestrutura, distribuição de insumos e recursos humanos, conforme matéria do dia 22 de junho último. Destaque para a falta de profissionais e as longas filas de espera. São os mesmos problemas apontados há décadas, com soluções aparentemente ainda distantes. Ao contrário de matérias desta natureza, que se fiam mais nas declarações isoladas de usuários e eventualmente de servidores, a que está em foco procura trazer informações mais profundas e detalhadas sobre a situação, além de ouvir dois especialistas e o próprio Secretário de Saúde do DF, nominalmente, Carla Pintas, da UnB, José Simões da UniCEUB, além do Secretário Osney Okumoto. Vamos ver o que dizem…
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A desorganização da saúde no DF em sua mais perfeita tradução
Vejo no Correio Braziliense de 18 de junho de 2019 que mulheres de todo o Distrito Federal e Entorno formaram imensa fila no HMIB, na L2 Sul, para se candidatar à instalação de um simples DIU, o Dispositivo Intrauterino, que os bons serviços de saúde mantêm disponíveis para clientela há décadas. A SES-DF anunciou a novidade (?) na semana anterior e isso fez com que centenas de pacientes passassem a madrugada em frente a unidade para conseguir atendimento. Gentilmente um funcionário explicou à reportagem do CB, sem se dar conta, talvez, da desfaçatez de suas palavras: “todas as mulheres que chegaram aqui no período da manhã serão atendidas. As demais devem aguardar atendimento no decorrer dos próximos dias”. Em outras palavras, ao invés de uma lógica ética e humanista, quem manda naquele pedaço é o relógio; ou o calendário. A SES não deixou por menos, “esclarecendo” que todas as mulheres que procurarem a unidade na manhã desta segunda serão acolhidas e avaliadas. Pergunta que não quer calar: só as que vierem pela manhã? E aquelas que virão na parte da tarde? Ou na terça, quarta, quinta ou na semana próxima? Resumo da ópera: isso não é fruto de nenhuma crise econômica, de licitação embargada, de maquinações da indústria farmacêutica, de greve de fornecedores ou de alguma herança maldita. É má gestão mesmo. Uma coisa assim, sem querer vulgarizar, é igual a uma lanchonete que não tem salgados para oferecer a seus clientes. Ou um açougue que não vende carne. Continue Lendo “A desorganização da saúde no DF em sua mais perfeita tradução”
