Dengue: quosque tandem?

Anuncia a SES-DF (ver link ao final) que está trabalhando com todo vigor para combater as larvas e o mosquito Aedes aegypti, cobrindo com suas ações, ao longo de poucos meses, 359.417 residências nas diversas regiões administrativas do Distrito Federal, sem contar a aplicação do “UBV pesado”, vulgo fumacê, em nada menos do que 441 mil imóveis. Os números prosseguem e chegam a ser exaustivos, mas para fazer justiça à SES vamos registrá-los: 13 mil imóveis tratados, 653 armadilhas colocadas, 1.032 imóveis revisitados, 582 escolas públicas inspecionadas. Mas será que é isso mesmo que importa? Continue Lendo “Dengue: quosque tandem?”

Volume ou valor? Produção ou resultados? Quantidade ou qualidade?

Vejo na mídia (link ao final) que o GDF, em mais uma das suas habituais soluções simplistas ou autoritárias, quer punir os funcionários que porventura tratem mal aos pacientes nas diversas unidades de saúde da cidade. Não é que tal coisa não aconteça por aqui; acontece de verdade, e muito, em toda parte!  E os responsáveis devem pagar por seus erros, até porque o que se vê nas recepções das unidades de saúde é apenas aquele maldito aviso “maltratar funcionário público é crime previsto na legislação”. O contrário disso, não seria crime também? Mas a verdadeira questão é se a solução estaria de fato em simples portarias e atitudes ameaçadoras como esta, nas quais se fala em penalidades diversas, em delações internas e punição e até penalidades para quem fizer uso incorreto da rede de computadores, além de outras obviedades? Ou haveria modos mais apropriados de tratar a questão? Corro o risco de ser mal visto, ao falar em coisas que já fazem parte de uma verdadeira cultura institucional global (lembram-se do “marxismo cultural”, ao gosto do atual Chanceler?), ou de apelar para evidências científicas (no caso, derivadas, algumas delas, das atualmente malditas ciências sociais) nas ações de governo. Mas mesmo assim introduzo a minha pobre colher de pau em tal discussão. Continue Lendo “Volume ou valor? Produção ou resultados? Quantidade ou qualidade?”

Entorno ou Transtorno (II)

O atual Governador do DF prometeu, durante a campanha eleitoral, criar a Região Metropolitana (RM) do Distrito Federal, formada por municípios de Goiás e Minas Gerais, além do DF. Segundo ele, isso estabeleceria um território reconhecido pela União, vindo a facilitar a destinação de recursos federais aos respectivos governos estaduais e do DF.  Na ocasião, dizia ele, transpirando otimismo: “Hoje, para se fazer uma obra para beneficiar a região, o governo federal tinha de transferir parte dos recursos para um e parte para outro. A MP vai facilitar muito. Temos o apoio de diversas bancadas e a certeza de que logo será aprovada pelo Congresso”. Do que resultou isso, além de mais uma prova de que fazer promessas é tão ou mais fácil do que descumpri-las? Apesar do apoio de Temer, que enviou, ainda em dezembro de 2018, no apagar das fracas luzes de seu governo, uma MP relativa a isso ao Congresso Nacional, a conversa não prosperou. E agora, na última semana de abril de 2019 foi cabalmente sepultada com a decisão dos possíveis parceiros interessados, MG e GO, de não apoiar tal medida. O motivo? Dinheiro, pra variar… Os governadores vizinhos se recusam a entrar em tal arranjo sem que o DF abrisse mão de uma parte dos recursos do Fundo de Participação em favor de seus eventuais sócios da tal RM. Assim, o advogado Ibaneis, que já alardeava o apoio dos vizinhos à sua ideia, teve que botar a viola no saco… Continue Lendo “Entorno ou Transtorno (II)”

Médicos no DF: entre a abundância e a escassez

Em nossa cidade, algumas notícias da imprensa já são tão rotineiras que poderiam até se apresentar em um cabeçalho fixo nos jornais ou em editoriais simplesmente reeditados, no rádio e na TV. Nem precisaria mandar repórteres ao local dos acontecimentos…. Acidentes no Eixão, desvios na Câmara Legislativa, invasões de áreas públicas e falta de médicos na rede de serviços de saúde: eis alguns exemplos. Assim, leio matéria recente (link ao final) que foi reduzido o número de médicos na rede pública do Distrito Federal, agravando o caos nos hospitais, postos de saúde e unidades de pronto-atendimento. Segundo o Sindicato dos Médicos, havia 5.546 clínicos em 2014 e são 5.199 agora. Só na virada de 2018 para 2019 perto de duzentos deixaram o serviço público. Assim, enquanto a rede perde médicos, a cidade continua a crescer . Continue Lendo “Médicos no DF: entre a abundância e a escassez”

Sobre os Planos de Saúde para servidores do DF

“Todos são iguais, mas alguns são mais iguais do que os outros”. A questão é antiga e foi colocada por George Orwel, possivelmente no cenário de seu “1984” – ou seria em “A Revolução dos Bichos”? Na saúde e em outros ramos da atividade humana ela está sempre pulsante. Com efeito, se em um sistema de saúde que oferece cuidados como “direito de todos”, faz sentido que dentro desse coletivo “todos” haja privilégios para “alguns”? Na saúde o fato é notório. No Brasil, ainda nos anos 50, os funcionários dos Institutos Previdência Social já tinham realizado sua experiência de se afastar daquilo que eles próprios ofereciam “para todos” (os beneficiários da instituição), para criarem algo para si próprios, a famosa “Patronal”. E pelas décadas seguintes a moda se espalhou, a Patronal virou Geap e a maioria das empresas estatais e mesmo serviços de administração direta criaram seus programas de autogestão em saúde. Em outras palavras: para “os outros”, o SUS; para “nós”, serviços diferenciados. Continue Lendo “Sobre os Planos de Saúde para servidores do DF”