Leitos de UTI no DF: uma crise, dentro da outra crise, dentro de mais uma crise…

Covid 19 no DF: nunca se viu algo assim.  Parecia que tudo ia bem, mas de repente, as medidas de proteção são relaxadas antes da hora; os testes diagnósticos foram adquiridos e usados de maneira equivocada; as mortes se aceleraram; os casos novos galoparam; os leitos de UTI já não dão para o gasto; as informações dentro da própria máquina de governo enlouqueceram. E o Buriti se espelha no Alvorada: um secretário é trocado em plena crise o governador desfila sem máscara (ou quem sabe, lhe caiu a máscara?).  Tudo isso lembra aquelas bonecas russas em série, as matriochkas, que se encaixam uma dentro da outra e vão revelando aquele “museu de grandes novidades”, de que falava Cazuza. No caso, aqui no DF, novidades de má catadura. As bonecas-mães (matriochka = “mãezinha”), atendem pelos nomes de Jair Messias e Ibaneis Rocha, não nos esqueçamos. Foram feitas, ao que parece, uma sob medida para a outra. Aliás, o nosso governador lembra aquele nosso colega de escola que acertava as perguntas no professor no início, mas logo descambava para a mais completa ignorância, afinal reveladora de quem realmente ele era. Personagem de programa humorístico, talvez, mas no caso, totalmente sem graça. Mas vamos ao que interessa: a bola da vez são os leitos de UTI…

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Covid-19 (de junho) no DF

Por estes dias ficamos sabendo de uma curiosidade trazida à luz por historiadores, qual seja que, em meados do século XIX, o Rio de Janeiro foi assolado por uma epidemia de febre amarela, trazida da Europa a bordo de navios. Foram muitas as mortes e entre os intensos debates travados na ocasião, registraram-se muitas controvérsias em que se envolveram membros do Legislativo, com alguns deles perorando contra o “sensacionalismo e o estado de terror” que as notícias da epidemia instilavam na população, denunciando também os possíveis equívocos dos diagnósticos firmados pelos médicos. Um desses políticos, um senador mineiro, morreu de febre amarela poucos dias depois de apoiar com veemência tais ideias negacionistas. Pelo visto, é história que se repete hoje. É bem verdade que o Imperador D. Pedro II não entrou em tal clima e chegou até a visitar doentes nos hospitais, reconhecendo a relevância do problema. Mas como dizia Karl Marx, a história se repete como como farsa. E por falar nisso, em termos de Covid 19, como estão as coisas hoje, dia 19 de junho de 2020, no Brasil e aqui no DF, mais de um século e meio após os eventos no Rio de Janeiro? O que temos de farsa ou verdade no cenário? Continue Lendo “Covid-19 (de junho) no DF”

O “transtorno” do Entorno: Decreto de Ibaneis impede atendimento de casos de Covid-19 vindos de fora do DF

O governador do DF, Ibaneis Rocha, assina nesta quinta-feira (14/5), decreto, em fase final de preparação, que impede pacientes do Entorno, portadores da Covid-19, serem atendidos na rede pública de Saúde da Brasília. É uma ideia antiga do Governador que, mesmo antes da pandemia, defendia brecar a suposta sobrecarga trazida por tais pacientes no DF. Informa a imprensa (ver link ao final) que o GDF estaria tentando, sem sucesso, um acordo com o estado de GO neste sentido. Os vizinhos goianos, todavia, retrucam, alegando que tal decisão causa estranheza e que na verdade havia diálogo entre as partes, em busca de cooperação. História antiga esta… Continue Lendo “O “transtorno” do Entorno: Decreto de Ibaneis impede atendimento de casos de Covid-19 vindos de fora do DF”

Covid-19 no DF: em que ponto estamos, para onde vamos?

De repente, à maneira brasileira de nos acharmos todos grandes técnicos em futebol, estamos transferindo nossa sabedoria para a epidemiologia e a infectologia, de tal forma que expressões como “curva epidemiológica”, “achatamento da curva”, “razão de transmissibilidade”, “fator R”, “letalidade x mortalidade”, “efeito manada”, “lock-down”, além de outras, se incorporaram ao vocabulário comum, perpassando até as conversas de botequim (que, aliás, lamentavelmente, vão ficando mais frequentes nos últimos dias). Bom por um lado, sem dúvida, por demonstrar a preocupação dos cidadãos, até então jejunos em tais assuntos, face à presente pandemia (aliás, outra palavra recém incorporada ao linguajar cotidiano). Mas por outro, tem gente utilizando tais conceitos exatamente para justificar algo pelo seu avesso, por exemplo, quando os seguidores daquele líder de uma quarta parte da população, repetem o que tal guru lhes inculca, ou seja, que as medidas de contenção tomadas até agora não teriam servido de nada. Assim, no Brasil atual, como naquele funesto e famoso “1984” orweliano, a mentira se torna verdade e a burrice vira inteligência. Mas vamos ao que interessa: como está de fato a situação da Covid-19 aqui em nossa cidade? Continue Lendo “Covid-19 no DF: em que ponto estamos, para onde vamos?”

Como deve ser…

Fala sério! Estamos todos muito cansados de ver autoridades, de todos os escalões, mas particularmente no topo da linha, deitarem falação equivocada e até mesmo irresponsável sobre a atual pandemia de Covid-19. Desculpem os leitores, mas vai ser muito difícil mudar de assunto ao longo das próximas – muitas – semanas … Mas quando leio matéria como a do Correio Braziliense do último dia 26 de abril fico mais animado. Eis que ali fala alguém que realmente entende do assunto, o Sub-Secretário de Vigilância à Saúde, Eduardo Hage. Não o conheço pessoalmente, mas bem que gostaria, para cumprimentá-lo pela cristalinidade de suas afirmativas e pelo destemor em reconhecer que algumas coisas ele não pode dizer simplesmente porque ainda não tem informação – não porque alguma ordem vinda de cima o impediria, por enquanto, pelo menos. A verdade é que a VERDADE, bem como a presente pandemia, ao contrário do que alguns imaginam, não tem posição política ou ideologia: elas simplesmente se impõem. É assim que deve ser e é o que se denota, felizmente na entrevista de Eduardo. Vamos a ela… Continue Lendo “Como deve ser…”