“Eixão do Lazer” e câncer de pele: algo a ver?

O câncer de pele é o tema do post de hoje. Por que, exatamente? Vamos analisar alguns dados sobre isso a seguir. Mas de saída minha preocupação é de outra natureza, ou seja, a exposição maciça das pessoas aqui no DF à luz solar, sabidamente um fator determinante na origem de tal neoplasia. É claro que sol não existe só aqui, mas em toda parte. Mas é bom lembrar que aqui em Brasília temos pela frente, a partir de agora, seis meses, no mínimo, de sol inclemente, em nossa cabeça, em nossa pele. E tal exposição é aumentada e incentivada pela liberação de “áreas de lazer”, como o Eixão, a Ponte JK e muitas outras, nas quais não bastasse a radiação que vem de cima, há que se lidar também com aquela refletida pelo asfalto. Não é que eu seja contrário a tal ideia; movimento, convívio social e exposição à luz são coisas sempre saudáveis. Mas acima de tudo penso que a liberação de tais áreas, somada agora à da Ponte JK (a meu ver injustificada), exigiria medidas complementares, que incluíssem no mínimo a conscientização dos usuários, mas também a eventual distribuição de produtos e objetos protetores, como bonés e cremes, além da restrição de horários de uso, por exemplo.

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Dilemas do Poder Local: descentralização não é panaceia

Para início de conversa é bom deixar claro: a expressão poder local (ou mesmo municipal) também se aplica diretamente ao DF, pois nosso lugar de vida tem características muito mais de um município do que de uma UF/Estado. Somos na verdade um município grande – e sem dúvida, também, um falso estado… O fato é que as frases “a municipalização é o caminho”; “tudo o que for descentralizado funcionará melhor”. “o poder local é soberano” foram como que sacralizadas pela minha geração de sanitaristas, gente que já estava na militância pró-SUS quando a atual Constituição Federal foi escrita na década de 80. A intenção era a melhor possível, mas infelizmente o futuro veio mostrar que nem tudo era como se pensava, pois, entre outras razões, o poder dos municípios e das instâncias descentralizadas não só tem limites, como pior ainda, repete muitas vezes os mesmos vícios do poder centralizado. Ao ler um artigo recente, publicado por pesquisadores da FGV de São Paulo (ver link), sobre a gestão local da saúde na atual pandemia, pude perceber que algumas dessas considerações mais sombrias, que há anos me perseguiam, pulsam ainda hoje. E antes de passarmos a comentários mais profundos sobre tal questão, é necessário afirmar que mesmo com todos os percalços da descentralização da saúde, a situação na atual pandemia estaria ainda pior – e muito! – se as ações de controle dependessem diretamente ou exclusivamente do Ministério da Saúde, particularmente no contexto de um governo tosco e pouco responsável como o atual.

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Covid no Brasil: não-políticas de um não-governo, baseadas em evidências zero…

Recomendar cloroquina para tratar covid; considerar a pandemia uma “gripezinha”; postergar a compra de vacinas; nomear um milico obtuso para Ministro da Saúde; delegar a pastores evangélicos a negociação de verbas públicas; tentar acabar com a atual pandemia por decreto. Ninguém precisa ser opositor do atual governo, basta ser honesto intelectualmente e dispor de algum bom senso, para admitir que as medidas utilizadas pelo bolsonarismo para enfrentar a pandemia de Covid 19 foram, na melhor das hipóteses, equivocadas, mas, além disso, misturaram ideologia e má fé. Com efeito, existe no cenário um valor chamado evidências e as práticas nelas baseadas são essenciais para a fundamentação de decisões clínicas ou políticas na saúde, seja de alcance individual ou coletivo. Vamos considerar que no calor da pandemia, com as incertezas do cenário de emergência, algumas vezes, talvez, as tais evidências, em sua totalidade, não estiveram ao alcance da mão dos tomadores de decisão no Palácio do Planalto e no Ministério da Saúde. Mas nem de longe esta turma procurou vincular suas tomadas de decisão às evidências já então disponíveis. Aliás, ignorou-as solene e acintosamente. Trago aqui hoje uma análise produzida pelo IPEA e respeito de dois focos de atuação do Ministério da Saúde ao longo da pandemia, na qual se conclui que o processo de tomada de decisão do mesmo se viu profundamente marcada pelo desprezo a quaisquer possíveis evidências científicas seja na formulação e/ou na implementação de políticas e ações concernentes. Bem ao contrário, tais decisões estiveram estritamente vinculadas aos valores políticos do governo de plantão. Uma síntese de tal artigo é apresentada a seguir.

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Impulsividade e acidentes de trânsito

Nossos dois últimos posts trouxeram informações sobre a mortalidade no trânsito em Brasília, demonstrando que nossa cidade, embora possa melhorar – e muito – seu desempenho nesse aspecto, ainda guarda uma posição de destaque no cenário brasileiro. Isso pode nos confortar, mas não seria o bastante para dormirmos em paz. Temos também que buscar comparações com países que evoluírem neste quesito. Sim! Não precisamos chegar perto de Tóquio, mas Manaus e Belém, com todo respeito, não devem ser nossos parâmetros. Nos dois posts referidos, contudo, pouco se falou sobre as explicações do fenômeno no terreno da psique dos envolvidos, sejam vítimas ou ofensores. Este é um território movediço, sobre o qual muito preconceito anda solto, por exemplo, nas afirmativas de que os motociclistas são sempre imprudentes; de que os pobres dirigem mal; de que as mulheres não são hábeis no volante; de que há pessoas naturalmente propensas a acidentes, seja em casa, na rua ou no trabalho; de que os portadores de distúrbios mentais são usuais causadores de acidentes; na culpabilização das vítimas e assim por diante. Pensando nisso, resolvi trazer aqui algum esclarecimento a respeito. Não se trata de um trabalho novo, pois remonta ao ano de 2009, mas creio que ainda contribui para o debate. Ele intitula-se Impulsividade e acidentes de trânsito e realiza a meta análise de uma série de trabalhos científicos sobre tal assunto. Pretendo retomar a tal tema oportunamente, com a especial ajuda de Henriqueta Camarotti. O trabalho é referenciado em link ao final. Vejamos suas conclusões.

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Violência em Brasília: no Trânsito, como estamos?

Brasília, com suas vias largas, que convidam à velocidade, seu número abundante de veículos circulando, é vista pelo senso comum como uma cidade na qual os acidentes de trânsito não seriam apenas muito frequentes como revestidos de maior fatalidade. Alguns acham que nossos motoristas seriam mais imprudentes do que os demais no país. Seria isso verdade? É bom lembrar que, ao mesmo tempo, Brasília foi a cidade pioneira no Brasil no estabelecimento do respeito às faixas de pedestres, fato que ainda hoje nos traz bastante orgulho. Vejamos o que dizem as estatísticas, dentro de uma comparação com as demais capitais do Brasil. Os dados mostram que ainda precisamos melhorar – e muito – a política de trânsito em nossa cidade. Como se sabe, os acidentes de trânsito, particularmente em termos de sua mortalidade, constituem problema de enorme gravidade no Brasil, além de grande complexidade também, para o qual soluções simplistas não bastam, sendo preciso a convergência de esforços de toda a sociedade, dentro de uma abordagem em três vertentes: evolução tecnológica dos veículos, melhoria do ‘ecossistema’ do trânsito (legislação, fiscalização e infraestrutura), além do item mais importante: educação dos usuários das vias públicas.

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