Por quem os sinos dobram?

“Nenhum homem é uma ilha, inteiramente isolado, todo homem é um pedaço de um continente, uma parte de um todo. Se um torrão de terra for levado pelas águas até o mar, o continente fica diminuído, como se fosse um promontório, como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntai: Por quem os sinos dobram; eles dobram por vós”. Meditação XVII (John Donne). Mas por quem os sinos de agora dobram, afinal? Continue Lendo “Por quem os sinos dobram?”

Um caso de amor com o SUS

Fugindo à regra deste espaço, trago aqui hoje alguém “de fora”, um convidado. Mas não é qualquer um. É um cara que veio da Itália e que há trinta anos acompanha (e contribui para) o desenvolvimento do SUS. Conhece a nossa realidade e a de nosso sistema de saúde como poucos. Aliás, ele é um daqueles estrangeiros que é capaz de amar e compreender mais o nosso país do que nós próprios o somos.  E não é só por ser casado com uma brasileira, não! Veio para o Brasil num processo de cooperação técnica da Itália, nos anos 90, e a ele retornou outras vezes, como técnico da OPAS.  Ele está se aposentando na OPAS e compartilhou com seus amigos daqui e alhures uma verdadeira declaração de amor ao SUS e a este pobre país. Renato Tasca é o seu nome. Tenho a honra de tê-lo conhecido há quase 20 anos, de ter trabalhado diretamente com ele em algumas ocasiões e assim ter feito parte de alguns projetos importantes que ele desenvolveu ou articulou aqui. Nada como ler o texto de Renato para se convencer de que o SUS não será, definitivamente, um projeto perdedor ou uma irrealizável utopia. A militância de pessoas que acreditam nele, como Renato Tasca e tantos outros,  sempre fez e continuará a fazer a diferença. Menos mal que sua aposentadoria na OPAS não o retirará de nosso convívio. Continue Lendo “Um caso de amor com o SUS”

Covid-19, no DF inclusive: coragem x covardia; inteligência x estupidez

Tenho tentado mudar de assunto aqui, mas a verdade que desde março não falo de outra coisa a não ser de Covid-19. A frase acima, depois eu explico. A questão do momento é uma tragédia anunciada. Há semanas que já se esperava o pior no controle da pandemia em todo o país, e também aqui no DF. Só aqui neste blog já publiquei pelo menos meia dúzia de posts alertando quanto a isso. E a má notícia chegou a galope, apocalipticamente: o Distrito Federal acaba de assumir, a partir de 28 de julho pp, a liderança de mau desempenho no combate à pandemia no País. É a primeira vez que isso acontece, desde que o acompanhamento presente está sendo feito, ou seja, em 15 de abril. Somos seguidos pelo estado do Rio de Janeiro, Roraima, Goiás e Alagoas. Honrosas  companhias…
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Covid-19: Pilatos e Iscariotes no comando?

PILATOSBoas práticas, sérias e responsáveis no controle da atual pandemia existem! Nem tudo é a mixórdia que se vê aqui no DF e em grande parte do país. Em dois posts passados tive a oportunidade de comentar os acertos verificados não só no Uruguai, mas também em diversas localidades brasileiras, como São Caetano do Sul, Belo Horizonte, Pelotas, Lagoa Santa, na cidade de Ceilândia, aqui no DF, além do estado de Mato Grosso do Sul e da Zona Norte da Cidade do Rio. Há muitos outros lugares que estão tomando medidas acertadas como essas, certamente, porque a irresponsabilidade e a insensatez são, felizmente, ingredientes não uniforme e “democraticamente” distribuídos no Brasil. Usando a linguagem bíblica, que alguns apreciam (da boca pra fora) nos dias de hoje, podemos dizer que nem todos os mandatários políticos lavam suas mãos, à moda de Poncio Pilatos, e nem todos, também, traem seus cidadãos, como Judas Iscariotes. Sem esquecer de Herodes, é claro. Já o presidente, como se sabe, faz uma coisa e outra, além de propagandear medicamento ineficaz e perigoso. Mas o que seria fazer a coisa certa na situação pandêmica atual? Continue Lendo “Covid-19: Pilatos e Iscariotes no comando?”

A atenção básica é essencial no controle da Covid-19, no DF e em toda parte (mas sem informação não há solução…)

A OPAS – Organização Panamericana de Saúde, representação nas Américas daquela mesma Organização Mundial da Saúde que Trump rejeita, com a devota imitação de seu admirador tropical, todavia segue incólume no Brasil e vem organizando uma série de debates on-line (pois afinal estamos, ou deveríamos estar em quarentena…), inclusive com a participação do público, sobre o protagonismo da atenção primária à saúde no enfrentamento da atual pandemia. São apresentadas e debatidas experiências de diversas partes do Brasil, inclusive daqui do DF. Tentei levantar dados, pelo menos quantitativos, sobre o estado atual da Atenção Básica em nossa cidade, mas nem no site da SES-DF, nem no do Ministério da Saúde está sendo possível encontrar este tipo de informação. Isso deve ser bem uma demonstração do apreço e da valorização que se dá no momento atual a esta ferramenta que no mundo todo representa um inequívoco fator de sucesso no controle da pandemia. Conheça a seguir algumas das experiências já apresentadas e discutidas na referida programação da OPAS, dentro de uma iniciativa chamada, muito apropriadamente, aliás, de APS Forte no SUS. As apresentações e debates sobre estes seis casos poderão ser vistos no link ao final. Continue Lendo “A atenção básica é essencial no controle da Covid-19, no DF e em toda parte (mas sem informação não há solução…)”