Uma tragédia anunciada

Vamos batendo, semana após semana, o recorde de número de mortos na tal “gripezinha” de Bolso-Nero. Dados oficiais de 29 de maio último mostram que chegamos a mais de 26 mil mortes no país, mais de 140 no DF. E o homem não desanima em sua sanha irresponsável e homicida. Demitiu dois Ministros da Saúde e, no caso deste último, fez isso antes mesmo que seu nome fosse lembrado pela população, para o bem ou para o mal, Além disso, escalou para o MS todo um regimento verde-oliva, com gente que entende de saúde apenas o bastante para comprar uma aspirina na farmácia da esquina. Não satisfeito, passou a receitar a cloroquina como panaceia, botando um general para cuidar disso, como quem nomeia um comandante de tropas para vencer um inimigo (que na verdade ele não identifica muito bem). Para ele e para os seus, saúde é apenas uma questão de logística – e de obediência. Pensando bem, já é hora de alguém questionar esta suposta “eficiência” dos militares na gestão da coisa pública, transformada em mantra neste governo. Como bem dizia Clemenceau, um político francês de um século atrás,”a guerra é um assunto muito sério para ser confiado aos militares”. A Saúde, nem se fala; cloroquina aí incluída…    Continue Lendo “Uma tragédia anunciada”

Aforismos pandemiológicos…

  1. Não acredite em qualquer um, tem muita fofoca e noticia falsa circulando. Fuja especialmente dos políticos, especialmente do Presidente da República, que parece ser o mais mal informado e até mesmo mal intencionado entre todos.
  2. Leia jornais e veja TV, sim, pois é importante saber o que está acontecendo. Mas não trate todos os meios de comunicação como iguais. Fuja daqueles que são órgãos oficiais de certo tipo de igrejas, dos que promovem programas de auditório com distribuição de prêmios, dos que são escolhidos com exclusividade para divulgar as entrevistas do Presidente da República e principalmente dos que nunca são críticos aos governos.
  3. Fique em casa e estimule os outros a ficarem. Está provado que os países que adotaram as medidas de quarentena e isolamento e não fizeram demagogia em cima disso estão tendo melhores resultados agora. E melhor resultado significa: menos mortes!
  4. Não acredite em balas mágicas e poções milagrosas. Acredite no que diz a Ciência. Esta história de cloroquina e de vermífugo para tratar a Covid-19 é pura balela. Um desses que negam a gravidade da situação, Mister Donald Trump, chegou a defender até o uso de desinfetantes por via oral – e com isso várias pessoas morreram nos EUA.
  5. Observe os casos dos países que fizeram a coisa certa. Tome como exemplo Alemanha, Coreia do Sul, Portugal e não Estados Unidos, Turcomenistão, Bielo-Rússia e Bolsolavistão.
  6. Aprenda a descartar fake-news. Seja crítico! A notícia é sensacionalista? É divulgada apenas por  fontes restritas ou desconhecidas e não pelos órgãos de imprensa profissionais? Chegou a você apenas pelo whats-app ou pelas redes sociais da família ou de um grupo de amigos? Fuja disso e não propague!
  7. Lembre-se dos mais desprotegidos. O principal grupo de risco é dos pobres; associe-se aos movimentos comunitários que já estão se formando para dar apoio a eles. E não se esqueça dos velhinhos, dos portadores de doenças crônicas, das pessoas confinadas em instituições, dos presidiários.
  8. Aproveite para se aprimorar. Leia muito. Busque aprender coisas novas a cada dia. Frequente a internet moderadamente e sempre procurando se informar e não se distrair com coisas supérfluas. Faça caminhadas e outras formas de exercício. Resista ao chamado da sua geladeira.
  9. Vá atrás de sua máscara e da possibilidade de fazer a testagem. Ainda não foi? Então corra! E cobre das autoridades que tomem as devidas providências quanto a isso. Sem sair de casa, claro!
  10. Tente enumerar para si mesmo as lições que a presente situação lhe proporcionou. Aprendeu coisas novas? Tornou-se mais tolerante e resiliente? Conviveu bem com sua família? Resistiu aos impulsos do consumo? Exercitou-se? Foi capaz de não se deprimir? Fez contatos à distância com amigos que há muito tempo não via? Aprendeu a não desperdiçar seu tempo com as redes sociais?

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Como deve ser…

Fala sério! Estamos todos muito cansados de ver autoridades, de todos os escalões, mas particularmente no topo da linha, deitarem falação equivocada e até mesmo irresponsável sobre a atual pandemia de Covid-19. Desculpem os leitores, mas vai ser muito difícil mudar de assunto ao longo das próximas – muitas – semanas … Mas quando leio matéria como a do Correio Braziliense do último dia 26 de abril fico mais animado. Eis que ali fala alguém que realmente entende do assunto, o Sub-Secretário de Vigilância à Saúde, Eduardo Hage. Não o conheço pessoalmente, mas bem que gostaria, para cumprimentá-lo pela cristalinidade de suas afirmativas e pelo destemor em reconhecer que algumas coisas ele não pode dizer simplesmente porque ainda não tem informação – não porque alguma ordem vinda de cima o impediria, por enquanto, pelo menos. A verdade é que a VERDADE, bem como a presente pandemia, ao contrário do que alguns imaginam, não tem posição política ou ideologia: elas simplesmente se impõem. É assim que deve ser e é o que se denota, felizmente na entrevista de Eduardo. Vamos a ela… Continue Lendo “Como deve ser…”

Covid-19: fenda na caverna ou luz no fim do túnel?

Nem vou falar das manifestações desastradas do Presidente da República, ou de seu novo Ministro da Saúde, este, coitado, mais perdido do que cego em tiroteio. Mas as cenas de cemitérios brasileiros, com aquelas centenas de covas à espera de novos inquilinos, nem de longe são coerentes numericamente com os anúncios de mortes pela pandemia vistos em estatísticas oficiais.  A verdade é uma só: está morrendo muita gente no Brasil, mais, muito mais do que o habitual.  Trago, a este respeito, algumas informações impactantes, a partir de fonte que me parece confiável, ou seja, um site que congrega dados dos cartórios de registro civil de todo o Brasil. Dizem elas, sobre nossa cidade: em todo o ano de 2019, 864 pessoas morreram de pneumonia ; já em 2020, de janeiro até a abril, em apenas quatro meses, portanto, foram 931 mortes. Sob o diagnóstico de insuficiência respiratória, no ano passado, faleceram 478 pessoas. Em 2020, pasmem, já são 544 casos nos quatro primeiros meses do ano. Mas tem mais! Continue Lendo “Covid-19: fenda na caverna ou luz no fim do túnel?”

Opiniões sobre Covid-19: livre expressão x “melhor se calar”

É permitido a quem quiser, acreditar que uma ditadura é melhor do que uma democracia para conduzir os destinos de uma sociedade. Só não vale querer a ditadura para os outros e a democracia para uso próprio – e nem achar que os nossos problemas advêm de um “excesso” de democracia. Todo mundo, igualmente, tem o direito de se manifestar sobre a gravíssima situação de saúde que vivemos hoje em dia e, da mesma forma, acreditar que possam existir diferentes formas de abordagem do problema, desde que confirmadas empiricamente com critérios científicos. Cada pessoa, de acordo com suas convicções ideológicas e íntimas, pode defender o retorno às atividades laborais, de forma mais ou menos urgente, desde que isso valha tanto para os mais pobres quanto para os mais ricos. Mas não é lícito sair às ruas dentro de carrões e portando máscaras e exigir isso… dos outros. Muito menos para fazer campanha contra a democracia. Porém, deve ser vedado a qualquer pessoa, em qualquer situação, defender a exclusão de outras pessoas a sejam pobres, sejam velhos, das medidas de proteção defendidas pela ciência. Mas há pessoas para as quais deve haver também restrições taxativas a se manifestarem sobre a situação sanitária atual: aquelas confiaram seus votos, em 2018, a este perfeito exemplar de político imaturo, despreparado, rancoroso, mal informado, necrófilo e desumano que é Jair Messias Bolsonaro. Este sujeito não acredita na ciência e não tem noção do que faz e além disso ainda empurra o povo brasileiro para um fatal desastre sanitário, ao mesmo tempo que ameaça a nossa duramente conquistada Democracia. Seus eleitores devem fazer uma profunda reflexão sobre as repercussões de sua opção nas últimas eleições. Daí poderão se arrepender e até serem perdoados, mas antes disso devem fazer profissão de fé na Democracia, na defesa dos Direitos Humanos, na Solidariedade. Mas atenção: em cartório, com firma reconhecida e perante pelo menos meia dúzia de testemunhas. Em não agindo assim, que se calem! Não é uma questão de negar a liberdade de expressão, mas sim um imperativo ético de manterem o silêncio por absoluta falta de condições morais para opinar sobre tal tema.