Fala sério! Estamos todos muito cansados de ver autoridades, de todos os escalões, mas particularmente no topo da linha, deitarem falação equivocada e até mesmo irresponsável sobre a atual pandemia de Covid-19. Desculpem os leitores, mas vai ser muito difícil mudar de assunto ao longo das próximas – muitas – semanas … Mas quando leio matéria como a do Correio Braziliense do último dia 26 de abril fico mais animado. Eis que ali fala alguém que realmente entende do assunto, o Sub-Secretário de Vigilância à Saúde, Eduardo Hage. Não o conheço pessoalmente, mas bem que gostaria, para cumprimentá-lo pela cristalinidade de suas afirmativas e pelo destemor em reconhecer que algumas coisas ele não pode dizer simplesmente porque ainda não tem informação – não porque alguma ordem vinda de cima o impediria, por enquanto, pelo menos. A verdade é que a VERDADE, bem como a presente pandemia, ao contrário do que alguns imaginam, não tem posição política ou ideologia: elas simplesmente se impõem. É assim que deve ser e é o que se denota, felizmente na entrevista de Eduardo. Vamos a ela… Continue Lendo “Como deve ser…”
Covid-19: fenda na caverna ou luz no fim do túnel?
Nem vou falar das manifestações desastradas do Presidente da República, ou de seu novo Ministro da Saúde, este, coitado, mais perdido do que cego em tiroteio. Mas as cenas de cemitérios brasileiros, com aquelas centenas de covas à espera de novos inquilinos, nem de longe são coerentes numericamente com os anúncios de mortes pela pandemia vistos em estatísticas oficiais. A verdade é uma só: está morrendo muita gente no Brasil, mais, muito mais do que o habitual. Trago, a este respeito, algumas informações impactantes, a partir de fonte que me parece confiável, ou seja, um site que congrega dados dos cartórios de registro civil de todo o Brasil. Dizem elas, sobre nossa cidade: em todo o ano de 2019, 864 pessoas morreram de pneumonia ; já em 2020, de janeiro até a abril, em apenas quatro meses, portanto, foram 931 mortes. Sob o diagnóstico de insuficiência respiratória, no ano passado, faleceram 478 pessoas. Em 2020, pasmem, já são 544 casos nos quatro primeiros meses do ano. Mas tem mais! Continue Lendo “Covid-19: fenda na caverna ou luz no fim do túnel?”
Opiniões sobre Covid-19: livre expressão x “melhor se calar”
É permitido a quem quiser, acreditar que uma ditadura é melhor do que uma democracia para conduzir os destinos de uma sociedade. Só não vale querer a ditadura para os outros e a democracia para uso próprio – e nem achar que os nossos problemas advêm de um “excesso” de democracia. Todo mundo, igualmente, tem o direito de se manifestar sobre a gravíssima situação de saúde que vivemos hoje em dia e, da mesma forma, acreditar que possam existir diferentes formas de abordagem do problema, desde que confirmadas empiricamente com critérios científicos. Cada pessoa, de acordo com suas convicções ideológicas e íntimas, pode defender o retorno às atividades laborais, de forma mais ou menos urgente, desde que isso valha tanto para os mais pobres quanto para os mais ricos. Mas não é lícito sair às ruas dentro de carrões e portando máscaras e exigir isso… dos outros. Muito menos para fazer campanha contra a democracia. Porém, deve ser vedado a qualquer pessoa, em qualquer situação, defender a exclusão de outras pessoas a sejam pobres, sejam velhos, das medidas de proteção defendidas pela ciência. Mas há pessoas para as quais deve haver também restrições taxativas a se manifestarem sobre a situação sanitária atual: aquelas confiaram seus votos, em 2018, a este perfeito exemplar de político imaturo, despreparado, rancoroso, mal informado, necrófilo e desumano que é Jair Messias Bolsonaro. Este sujeito não acredita na ciência e não tem noção do que faz e além disso ainda empurra o povo brasileiro para um fatal desastre sanitário, ao mesmo tempo que ameaça a nossa duramente conquistada Democracia. Seus eleitores devem fazer uma profunda reflexão sobre as repercussões de sua opção nas últimas eleições. Daí poderão se arrepender e até serem perdoados, mas antes disso devem fazer profissão de fé na Democracia, na defesa dos Direitos Humanos, na Solidariedade. Mas atenção: em cartório, com firma reconhecida e perante pelo menos meia dúzia de testemunhas. Em não agindo assim, que se calem! Não é uma questão de negar a liberdade de expressão, mas sim um imperativo ético de manterem o silêncio por absoluta falta de condições morais para opinar sobre tal tema.
Saúde no DF: dois anos
No meio desta pandêmica confusão quase ia me esquecendo de registrar: há dois anos este blog está no ar! Foram 163 postagens, ou seja, cerca de 1,5 por semana. Tenho tratado de tudo um pouco aqui. Parte do material são comentários meus sobre notícias de jornal, particularmente do Correio Braziliense e do Metrópoles-DF; parte sobre atos oficiais do Governo do DF ou do Ministério da Saúde, com repercussões sobre nossa cidade; parte são opiniões pessoais sobre temas do momento, sempre com foco em saúde, SUS, política social. Sei que tenho leitores, mas as estatísticas que o WordPress me oferece, infelizmente, não distinguem os que realmente leem o que escrevo daqueles que apenas “dão uma passada” por aqui, quem sabe robôs. Alguns leitores me estimulam e me honram com seus comentários, mas é claro que não poderia exigir isso de todos. Mas, de toda forma, saber que alguém se dá ao trabalho não só de ler como de comentar estes meus registros, me enche de alegria. Fica então registrado o segundo aniversário deste blog. Obrigado leitores!
Estado de emergência, controlose e infantilização da gestão pública
O recente “estado de emergência” instalado no país como um todo e em muitas unidades federadas, entre elas o DF, sem dúvida constitui uma estratégia adequada para dar mais agilidade à gestão da coisa pública, aí incluído o controle da pandemia do Covid 19, geralmente tolhido por um verdadeiro “túnel de ferro”, formado pelas leis de Contratos e Licitações (L. 8666), Estatuto do Funcionalismo (L. 8112), Lei de Responsabilidade fiscal e algumas outras. Dentro de tal estrutura, muitas vezes, nenhum gestor consegue se mover, ainda mais em tempos de crise, como o presente, sem correr o risco de que alguma autoridade pressurosa, seja do Ministério Público ou dos Tribunais de Contas, acorra para proferir um solene “não pode”. Pode ser até que tais autoridades estejam corretas em sua sanha bloqueadora em boa parte das vezes, mas em outras tantas talvez não alcancem compreender o que representa uma verdadeira emergência, julgando que o cumprimento rigoroso das minúcias legais é mais importante do que salvar vidas. É óbvio que do lado dos fiscalizados, ou seja, dos gestores do Executivo, sejam costumeiras as burlas, seja por má fé ou por ignorância. Mas é preciso encontrar um meio termo, sem dúvida. Sempre me ocorre a situação que presenciei pela TV naquele maremoto no Japão, alguns anos atrás. Em Narita, cidade arrasada pelo fenômeno, o aeroporto ficou em tal estado que havia lama até no segundo piso e aviões virados de ponta-cabeça. Pois bem, dois dias depois tudo funcionava normalmente. Imaginem a mesma situação aqui no Brasil… Ficou-me a indagação: será que no Japão existe algo parecido com as leis que citei acima? Ou o que manda lá seria uma proverbial “vergonha na cara”? Continue Lendo “Estado de emergência, controlose e infantilização da gestão pública”
