O assunto já foi pautado aqui no blog. “Todos são iguais, mas alguns são mais iguais do que os outros”, como disse George Orwel em “A Revolução dos Bichos”. Com efeito, se em um sistema de saúde que oferece cuidados como “direito de todos”, faz sentido que dentro desse coletivo “todos” haja privilégios para “alguns”? No Brasil, já nos anos 50, os funcionários dos Institutos Previdência Social já tinham realizado sua experiência de se afastar daquilo que eles próprios ofereciam “para todos” (os beneficiários da instituição), para criarem algo para si próprios, a famosa “Patronal”, que depois virou Geap e criou réplicas na maioria das empresas estatais e mesmo na administração direta. Pois bem, neste outubro de 2019, o Governo do Distrito Federal reitera a criação de um plano de saúde para atender até 250 mil servidores e seus familiares, nele incluídos não só todos os funcionários do Executivo, como das empresas estatais, policiais militares e os civis. Tal iniciativa terá estrutura semelhante à da Geap, citada acima, ou seja, de autogestão, na qual o “patrocinador” (ou seja, nós todos) paga uma parte da mensalidade e os associados, o restante. Continue Lendo “Plano de saúde para servidores do GDF, ou: o que fazemos para os outros não serve para nós…”
Atenção Primária à Saúde no Brasil: um retrato em movimento
Como já comentei aqui, cerca de 1,3 mil iniciativas em atenção primária à saúde concorreram ao Prêmio APS Forte, estabelecido pela OPAS, Ministério da Saúde, Conasems, Conass e Conselho Nacional de Saúde. O prêmio procurou valorizar, sistematizar e divulgar experiências que ampliam o acesso do cidadão ao Sistema Único de Saúde. Dentre este total, 135 foram indicadas para premiação e 11 foram finalistas. Uma seleção final, realizada por uma banca de comunicadores e especialistas, indicou três vencedores, sendo as oito restantes também consideradas como premiadas. As recomendadas para o prêmio (135); e as finalistas (11) vão compor uma publicação técnica editada pela OPAS. Estas 11 experiências certamente representam um retrato do que acontece na realidade brasileira, pois provêm de todas as regiões do país, originadas de um certame que mobilizou a totalidade dos estados e várias centenas de municípios, de todos os portes, características econômicas, geográficas e políticas, sendo selecionadas através de um processo criterioso e operado por gente que entende do assunto. Cabe trazer alguma informação e uma breve análise sobre as mesmas. Continue Lendo “Atenção Primária à Saúde no Brasil: um retrato em movimento”
Atenção Primária à Saúde no DF: Eppur si muove…
O Prêmio APS Forte, organizado pela OPAS e Ministério da Saúde, já noticiado aqui neste blog, chega a sua etapa final. Cerca de 1,3 mil iniciativas, desenvolvidas por instâncias de gestão e por equipes de saúde do SUS, responderam a tal chamado. Experiências das cinco regiões brasileiras, de secretarias estaduais e de centenas de municípios, estiveram presentes. Destas, as recomendadas para o prêmio, em número 135, entre as quais 11 finalistas, vão compor uma publicação técnica eletrônica editada pela OPAS e Ministério da Saúde, chamada Navegador-SUS. A seleção final, feita por um comitê presidido por Drauzio Varela, indicará três vencedores, que serão agraciados a conhecerem uma experiência internacional de rede de atenção à saúde na Atenção Primária. O DF participa com nada menos do que 20 experiências finalistas, o que sem dúvida é uma performance digna de nota. Aqui neste post farei um breve comentário sobre as mesmas, que vão relacionadas ao final. São iniciativas que de fato demonstram, de forma eloquente, o estado da arte da atenção primária à saúde em nossa cidade, que avança mesmo apesar do pouco valor que lhe é conferido pelas autoridades da saúde. E no entanto, à moda de Galileu, ela se move… Continue Lendo “Atenção Primária à Saúde no DF: Eppur si muove…”
Ideologia, eu quero uma pra viver…
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios absolveu o Icipe, instituição gestora do Hospital da Criança José Alencar do DF, de uma acusação de improbidade administrativa, que tramitava na Justiça desde 2015. A denúncia partiu do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, por supostas irregularidades nos contratos de gestão. Outra ação referente ao contrato de 2014 segue em julgamento. O MPDFT tem sido incansável na sua sanha contrária a este tipo de contrato, de resto permitido pela Constituição. São acusações ideológicas, oriundas de forte resistência em admitir que uma gestão privada possa funcionar, com vantagens, em parceria com a saúde pública. Na atual era bolsonarista ficou arriscado falar em “ideologia”, porque isso virou arma miliciana de ataque a divergentes, mas mesmo assim vou bater na tecla aqui… Continue Lendo “Ideologia, eu quero uma pra viver…”
Um Sistema de Saúde Cívico Militar? Não duvide…
Não escrevo a partir do nada… A ideia das “escolas cívico militares” já foi lançada pelo atual (des) governo, de tal forma que por um módico incentivo financeiro, estados e municípios poderão adaptar suas unidades de ensino à mesma. Paulo Freire? Nunca mais! Em seu lugar, Duque de Caxias e talvez Brilhante Ustra… Assim, em clima de distopia, inspirado pelo filme Bacurau, permito-me imaginar como seria o sistema de saúde inspirado na tal ideologia (digamos assim…) “cívica e militar”. Continue Lendo “Um Sistema de Saúde Cívico Militar? Não duvide…”
