Os episódios recentes envolvendo os equívocos da Operação Lava Lato, graças às estrepolias de seus fake-heroes Moro, Dalagnol e respectiva caterva, bem como aqueles atos de alguns promotores do DF, que resultaram em estorvos à gestão do Hospital de Criança de Brasília, além de muitos outros semelhantes que aqui e ali perturbam a boa gestão pública no Brasil, me fazem trazer de volta algumas reflexões que haviam me assaltado há algum tempo atrás. Lembram-se, por exemplo, a “auditoria” que o TCU fez nos aeroportos brasileiros por ocasião do apagão aéreo de alguns anos atrás? Suas excelências na época deitaram sólida peroração sobre rotas aéreas, riscos aeronáuticos, questões meteorológicas diversas etc, como se fossem pilotos experimentados ou engenheiros especializados em aviação. Mesmo que tenham contratado alguém com tal perfil para assessorá-los, isso não era de competência de um tribunal de CONTAS – é bom frisar a palavra chave dessa questão. Parece que não conseguiram perceber que o buraco, ou melhor, a terra estava bem mais em baixo e não lhes competia nada além de uma análise relativa ao emprego correto ou incorreto do dinheiro público. Continue Lendo “De controle, controlismo, controlite e controlose”
Será que este Governo pode “cometer” acertos?
Deste governo federal altamente eficiente em, digamos, errar o alvo de seu Golden Shower (ou, para os entendedores menos capciosos, urinar fora do local apropriado…), a produção de algum fato positivo é digna de menção. Este parece (por enquanto, pelo menos) ser o caso do anúncio das mudanças nos critérios de financiamento da atenção básica pelo SUS, anunciadas recentemente pelo Ministério da Saúde. A proposta é que o repasse de recursos aos municípios leve em conta também o quantitativo de pessoas cadastradas nas equipes de Saúde da Família, além do desempenho das mesmas, considerando ainda indicadores de qualidade da atenção. Além disso, espera-se contemplar com tal modelo aspectos como a vulnerabilidade dos usuários do sistema e a distância dos municípios em relação aos grandes centros. A discussão está começando e já gera polêmica. Alguns acham que ela compromete o princípio da universalidade do SUS; outros, que ela corrige distorções e servirá para aferir a real cobertura de tal modelo de atenção. Continue Lendo “Será que este Governo pode “cometer” acertos?”
O Saúde no DF tem jeito?
Tentar responder a pergunta acima pode deixar muita gente desanimada e pessimista… Com efeito, se observarmos as manchetes locais, sejam atuais ou de 10 ou mesmo 20 anos atrás, vamos encontrar o nosso sistema de saúde como personagem quase central, com menções sobre carências diversas, tais como, leitos hospitalares, medicamentos, pessoal, recursos financeiros etc. O mesmo nos dias de hoje. O atual governo já completou meio ano de vigência e, apesar das promessas mirabolantes de campanha, trouxe pouca novidade positiva ao cenário, assoberbado como está pela crise hospitalar, pelo déficit financeiro, pela sofreguidão corporativa, pela descrença generalizada da população, pela incapacidade de desenvolver planos reais de mudança no sistema. O mesmo, portanto, que em dias, meses (e anos) passados. Mas sempre caberá a indagação: será que isso tudo tem jeito? Não sucumbamos ao desânimo, entretanto. Experiências de outas cidades e países, além da palavra de especialistas, mostram sim, um caminho a seguir. Mas para isso é preciso ter decisão política e, acima de tudo, muita coragem para agir e fugir da situação de eterna acossada, a qual a SES-DF enfrenta a décadas. Vamos lá… Continue Lendo “O Saúde no DF tem jeito?”
Crise da Saúde no DF: tem jeito?
O Correio Braziliense visitou algumas unidades de saúde do DF e pediu a especialistas que propusessem medidas para ajudar a resolver os problemas do setor, identificados preliminarmente como infraestrutura, distribuição de insumos e recursos humanos, conforme matéria do dia 22 de junho último. Destaque para a falta de profissionais e as longas filas de espera. São os mesmos problemas apontados há décadas, com soluções aparentemente ainda distantes. Ao contrário de matérias desta natureza, que se fiam mais nas declarações isoladas de usuários e eventualmente de servidores, a que está em foco procura trazer informações mais profundas e detalhadas sobre a situação, além de ouvir dois especialistas e o próprio Secretário de Saúde do DF, nominalmente, Carla Pintas, da UnB, José Simões da UniCEUB, além do Secretário Osney Okumoto. Vamos ver o que dizem…
Continue Lendo “Crise da Saúde no DF: tem jeito?”
A desorganização da saúde no DF em sua mais perfeita tradução
Vejo no Correio Braziliense de 18 de junho de 2019 que mulheres de todo o Distrito Federal e Entorno formaram imensa fila no HMIB, na L2 Sul, para se candidatar à instalação de um simples DIU, o Dispositivo Intrauterino, que os bons serviços de saúde mantêm disponíveis para clientela há décadas. A SES-DF anunciou a novidade (?) na semana anterior e isso fez com que centenas de pacientes passassem a madrugada em frente a unidade para conseguir atendimento. Gentilmente um funcionário explicou à reportagem do CB, sem se dar conta, talvez, da desfaçatez de suas palavras: “todas as mulheres que chegaram aqui no período da manhã serão atendidas. As demais devem aguardar atendimento no decorrer dos próximos dias”. Em outras palavras, ao invés de uma lógica ética e humanista, quem manda naquele pedaço é o relógio; ou o calendário. A SES não deixou por menos, “esclarecendo” que todas as mulheres que procurarem a unidade na manhã desta segunda serão acolhidas e avaliadas. Pergunta que não quer calar: só as que vierem pela manhã? E aquelas que virão na parte da tarde? Ou na terça, quarta, quinta ou na semana próxima? Resumo da ópera: isso não é fruto de nenhuma crise econômica, de licitação embargada, de maquinações da indústria farmacêutica, de greve de fornecedores ou de alguma herança maldita. É má gestão mesmo. Uma coisa assim, sem querer vulgarizar, é igual a uma lanchonete que não tem salgados para oferecer a seus clientes. Ou um açougue que não vende carne. Continue Lendo “A desorganização da saúde no DF em sua mais perfeita tradução”
