Mais um relatório na saúde (para a crítica devoradora dos ratos…)

Deu na mídia local que entidades da área da saúde realizaram vistoria em um hospital no DF e encontraram situações perturbadoras. Especificando, tais entidades são o Ministério Público; os Conselhos Regionais e Sindicatos de Médicos, Enfermeiros, Dentistas, Farmacêuticos e Engenheiros; o Conselho de Saúde do DF, além da OAB. O hospital abordado foi o HR de Ceilândia. O dia da visita (porque ela se deu em um único momento) foi 14 de maio pp. As unidades visitadas: emergência, pediatria, UTI neonatal, centro obstétrico, além de odontologia, UPA e uma “sala vermelha”, seja lá o que isso for. As conclusões apontaram para superlotação, falta de equipamentos, déficit de pessoal, más condições gerais de atendimento. Outro relatório semelhante havia sido produzido em 2012, trazendo essencialmente as mesmas conclusões. Cabe indagar: haveria alguma novidade nisso? Ou o mais importante: o que as entidades promotoras pretendem fazer com tal informação?
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Um “bom governo” seria possível, de fato, no DF (ou alhures)?

O poeta russo Maiakowski disse, num poema famoso, ter ouvido dizer que em alguma parte do mundo haveria um homem feliz, “ao que parece, no Brasil”… Se sua procura fosse por um governo bem aceito pelos cidadãos, penso que as dificuldades em encontrá-lo seriam ainda maiores. No Brasil – ou no DF, por exemplo – isso seria praticamente impossível, pois se há uma coisa rara nos dias de hoje, aqui e alhures, é o que se poderia chamar de “um bom governo”. Mesmo homens (ou mulheres) felizes já seria uma raridade… Maus exemplos é o que não falta. Na República, por exemplo, um “meme” recente, mas já consagrado, diz que seria fácil enumerar os defeitos do atual governo, o problema mais difícil seria enumerar seus acertos. Temos realmente um cenário de administrações em condições adversas, operadas por gente equivocada e convencida que “ideologia” é só a dos outros, além do mais produzidas por um eleitorado dividido e mal informado, em um campo minado não apenas pela crise econômica, mas também por um cataclismo simbólico e moral que acomete os políticos de todos os naipes e matizes ideológicos, como acontece no Brasil de hoje.
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Mais fácil um boi voar: Max Weber e a Gestão da Saúde no DF

Nestes estranhos tempos (para dizer pouco), em que as ciências, particularmente as humanas, são desprezadas, não deixa de ser surpreendente alguém recorrer aos ensinamentos da Sociologia para explicar qualquer coisa, como vou tentar agora. Faço isso após ter lido na imprensa que a SES- DF cuida de que servidores cedidos ao Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (IGES-DF), se manifestem sua opção pela remoção a outras unidades ou permanência no local de origem.  Parece coisa banal e rotineira – e aliás deveria ser – mas tem sido, por aqui, objeto de incômodo e apelo a prerrogativas e conveniências corporativas, devidamente apoiadas, amplificadas e dramatizadas pelos sindicatos das diversas categorias. É aí que entra Max Weber, considerado um dos pais da Sociologia, que produziu sua obra no último quartel do século XIX, sendo contemporâneo de Marx, portanto. Continue Lendo “Mais fácil um boi voar: Max Weber e a Gestão da Saúde no DF”

Dengue: quosque tandem?

Anuncia a SES-DF (ver link ao final) que está trabalhando com todo vigor para combater as larvas e o mosquito Aedes aegypti, cobrindo com suas ações, ao longo de poucos meses, 359.417 residências nas diversas regiões administrativas do Distrito Federal, sem contar a aplicação do “UBV pesado”, vulgo fumacê, em nada menos do que 441 mil imóveis. Os números prosseguem e chegam a ser exaustivos, mas para fazer justiça à SES vamos registrá-los: 13 mil imóveis tratados, 653 armadilhas colocadas, 1.032 imóveis revisitados, 582 escolas públicas inspecionadas. Mas será que é isso mesmo que importa? Continue Lendo “Dengue: quosque tandem?”

Volume ou valor? Produção ou resultados? Quantidade ou qualidade?

Vejo na mídia (link ao final) que o GDF, em mais uma das suas habituais soluções simplistas ou autoritárias, quer punir os funcionários que porventura tratem mal aos pacientes nas diversas unidades de saúde da cidade. Não é que tal coisa não aconteça por aqui; acontece de verdade, e muito, em toda parte!  E os responsáveis devem pagar por seus erros, até porque o que se vê nas recepções das unidades de saúde é apenas aquele maldito aviso “maltratar funcionário público é crime previsto na legislação”. O contrário disso, não seria crime também? Mas a verdadeira questão é se a solução estaria de fato em simples portarias e atitudes ameaçadoras como esta, nas quais se fala em penalidades diversas, em delações internas e punição e até penalidades para quem fizer uso incorreto da rede de computadores, além de outras obviedades? Ou haveria modos mais apropriados de tratar a questão? Corro o risco de ser mal visto, ao falar em coisas que já fazem parte de uma verdadeira cultura institucional global (lembram-se do “marxismo cultural”, ao gosto do atual Chanceler?), ou de apelar para evidências científicas (no caso, derivadas, algumas delas, das atualmente malditas ciências sociais) nas ações de governo. Mas mesmo assim introduzo a minha pobre colher de pau em tal discussão. Continue Lendo “Volume ou valor? Produção ou resultados? Quantidade ou qualidade?”