Antes que algum leitor reclame que eu troquei “concerto” por ”conserto”, esclareço: estou falando é daquilo que o Houaiss considera como “restauração ou recomposição de coisa rasgada, descolada, partida, deteriorada” e não de um tipo de peça musical. E aproveitando, “ré”, aqui, não é a nota que vem depois do dó e antes mi, mas sim a marcha para trás. Eis a combinação de palavras que me veio à mente quando li que a candidata a governadora do DF, Fátima Sousa, defendeu, em reunião sindical, simplesmente a estatização de todas as áreas da saúde no DF. Está em matéria do Boletim do SindSaúde (ver link ao final), instituição na qual tal discurso deve causar grande agrado. Disse ela: “No meu governo, eu não vou deixar que nenhum serviço seja privatizado. Quem lhes diz isso é uma filha do SUS”. A candidata disse também que a saúde mental e redução da jornada de trabalho dos servidores será prioridade em sua gestão. E deixou a promessa: “Vamos também trabalhar pelo aumento salarial para que tenham condições de vida melhor e diminuição da carga horária de trabalho”. Música para os ouvidos presentes… Enfermeira e acadêmica da área de saúde que é, Fátima manifesta posições no mínimo anacrônicas ou irrealizáveis. Continue Lendo “Conserto em Ré…”
Centros de Saúde tradicionais x Unidades de Saúde da Família: é tudo a mesma coisa?
Em um dos últimos posts aqui no blog confesso ter cometido algumas ironias relativas a “novidades” previsíveis no cenário eleitoral do DF, que tem primado até agora por absoluta carência de propostas consequentes na área da saúde. Uma de tais “novidades” seria a volta dos centros de saúde da era Frejat, que até hoje muitos celebram por aqui (tanto o homem como suas realizações). Discordâncias – estas sim, totalmente previsíveis – já surgiram e na verdade alimentam uma antiga polêmica que tenho com alguns amigos, ou seja, se o modelo tradicional de atenção básica praticada no Brasil equivale ao Saúde da Família contemporâneo. Eles acham que sim, que é tudo a mesma coisa. Eu acho que não. É claro que estou falando de SF nos moldes preconizados na Política Nacional de Atenção Básica (embora a mesma tenha recebido alguns remendos pouco recomendáveis recentemente) e não em alguns simulacros que andam, por aí, os famosos “programas precários para pobre e para ‘por placa’”, para ficarmos só na sua qualificação com a letra “P”. Isso interessa diretamente à nossa cidade, vejamos por que… Continue Lendo “Centros de Saúde tradicionais x Unidades de Saúde da Família: é tudo a mesma coisa?”
Perdulário, perigoso e pouco eficaz…
Quando assumi o posto de Secretário Municipal de Saúde em Uberlândia, no início da década passada, fiquei abismado com a existência de quase 300 pessoas empregadas na Prefeitura, é bem verdade com recursos do governo federal, para realizarem o “controle da dengue”, que àquela altura ameaçava não só a cidade como muitos outras partes do país. A dengue era e continua sendo uma doença potencialmente grave (mas nem sempre…) e seu controle depende de muito mais ações do que catar latinhas nos quintais e lotes vagos e visitar as casas para constatar a existência de vasos com pratinhos cheios d’água. Não se trata de uma ironia, mas era basicamente isso o que aqueles laboriosos trabalhadores faziam. Na ocasião me perguntava se para doenças muito mais graves, como a hipertensão arterial, a diabetes, as doenças derivadas do stress e do tabaco, além de outras, se haveria, por parte do Poder Público, uma ação semelhante, ou seja, mandar os agentes da saúde nas próprias casas dos pacientes para ver se estavam bem, se tomavam os remédios, se faziam dieta e outras medidas recomendadas. Na dengue algo parecido era feito… Continue Lendo “Perdulário, perigoso e pouco eficaz…”
Atenção candidatos: o que fazer para melhorar a Saúde?
A Folha de São Paulo publicou, sob a coordenação editorial das jornalistas Cláudia Collucci e Natália Cancian, com apoio da Revista Brasileira de Ciência e Saúde Coletiva (Abrasco) e do CFM, no dia 25 de agosto último, uma ampla matéria intitulada “O que fazer para melhorar o sistema de saúde no país”. Foram entrevistados alguns nomes importantes do setor saúde no Brasil, tanto da esfera pública, como da privada. Foram ouvidas as seguintes pessoas, com as instituições representadas: Gastão Wagner (Abrasco); Martha Oliveira (Anahp); Mauro Junqueira (Conasems); Deborah Malta (UFMG); Roberto Umpierre (UFGRS); Gonzalo Vecina Neto (USP); Ana Maria Malik (FGV); Edson Araújo (Banco Mundial); Paulo Furquim (Insper); Elizamara Siqueira (Coren/SC); Claudio Lottenberg (Coalizão Saúde); Mário Scheffer (USP); Humberto Fonseca (SES-DF). Como se vê, a nossa cidade esteve representada pelo seu Secretário de Saúde, Humberto Fonseca. O que podemos tirar de proveito de tal conversa? Continue Lendo “Atenção candidatos: o que fazer para melhorar a Saúde?”
UPAs: fazem paredes, mas falta alicerce…
Leio na mídia (link abaixo) que ocorre neste país rico que é o Brasil um desperdício de nada menos que R$ 268 milhões, dinheiro investido pelo Governo Federal na construção de 145 UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), que embora já construídas permanecem fechadas, algumas desde 2012. Alguns dados do descalabro: em São Paulo 22 UPAs fechadas; Bahia e Pará, 13 prédios cada um; Paraná, 11, Ceará; 10, Rio Grande do Sul e Pernambuco, 9 cada. E vai por aí a fora. O DF, desta vez pelo menos, não está citado neste ranking negativo. Falta de planejamento, promessas eleitorais e baixo orçamento dos municípios, são algumas das razões (ou desculpas) para justificar esta (mais uma!) vergonha nacional. Mas não é só isso… Continue Lendo “UPAs: fazem paredes, mas falta alicerce…”
