André Cezar Medici é mestre em Economia, doutor em história econômica e economista de saúde sênior do Banco Mundial. Tem se dedicado, há mais de 30 anos, a temas como economia e reforma de saúde, planejamento estratégico e prioridades de saúde, contribuindo para desenhar e melhorar as reformas de saúde em países da América Latina. No Brasil, desempenhou um papel fundamental no planejamento, desenvolvimento e implementação do Sistema Único de Saúde (SUS). Eu o conheço há pelo menos uns 30 anos e creio que na minha geração a maioria me acompanha na admiração por ele. Destaco aqui um artigo recente de André, no qual a situação atual da saúde no Brasil, que aqui neste blog é objeto de frequentes análises é destrinchada, da competente e muito bem escrita que lhe peculiar. Vamos ao texto, aqui resumido para facilitar o alcance dos leitores. O link para acesso completo segue ao final .
Continue Lendo “A Saúde em Perspectiva: Brasil x Mundo; Situação 2022 x Tendências 2023”O Público e o Privado na Saúde: uma eterna luta do Bem contra o Mal?
Tenho em mãos documentos atualizados, firmados por representantes do setor privado em saúde, com propostas para o novo governo que se inicia. (1) A Saúde que devemos ter, tem como signatário uma entidade denominada Iniciativa FIS, um “ecossistema de lideranças da Saúde da América Latina”, declara como objetivo principal promover transformações no setor a partir de um encontro entre atores públicos, privados e das academias, através de conexões e debates e inovações. (2) Saúde do Brasil 2023-2030 vem do Instituto Coalizão Saúde (ICOS), formado por organizações públicas e privadas de toda a cadeia produtiva e de serviços de saúde, representando posições de consenso e convergência de interesses do setor saúde, voltado para ações de governo, mas com expectativas de tenha utilidade também para orientar o debate nas diversas organizações de saúde públicas e privadas. Pretendo aqui confrontá-los com um terceiro documento, (3) Relatório de Transição de Governo 2023, visando verificar até que ponto tenham propostas convergentes – ou não. De toda forma, a simples existência de tais peças oriundas do setor privado é motivo de regozijo e esperança para mim, pois acredito realmente que a separação “água e óleo”(ou o Bem contra o Mal) que historicamente domina a relação entre tais atores e o setor público não mostra o melhor dos caminhos para resolvermos a problemática que nos cerca. Tenho escrito muito sobre isso aqui (ver alguns links ao final) e a pergunta que não se cala é: seria possível confiar nas associações do setor privado com o Poder Público? Sem querer dizer sim ou não, creio ser preciso não imaginar apenas que estaremos sempre enfrentando lobos em pele de cordeiro nesta questão.
Continue Lendo “O Público e o Privado na Saúde: uma eterna luta do Bem contra o Mal?”Novos tempos na Saúde
[Retornando agora nossas postagens semanais, depois de um mês de recesso, em um panorama de acontecimentos os mais diversificados e a anunciadores de novos e melhores tempos para a Saúde no Brasil – pelo menos é o que esperamos.]
A gente até se belisca para ver se não está sonhando. Mas não há dúvida, aqueles pazuelos, digo pesadelos, acabaram. Queirogas também fora do jogo… Os verde-oliva que estão acampados no Ministério da Saúde com o tempo terão alta (ou darão baixa). Com certeza, não há mais meios-fios a serem caiados por ali… E ainda tem a grande novidade: no cargo de Ministro, pela primeira vez na história, tem assento uma mulher: Nisia Trindade. E não é qualquer uma: socióloga, doutora, conhecedora da saúde pública, ex-presidente da Fiocruz, onde construiu uma ilha de resistência contra o negacionismo, a irresponsabilidade e a incompetência dos bolsonaristas de farda ou jaleco. Depois de seis anos de desastres sucessivos na saúde teremos oportunidade, a partir de agora, de usufruirmos de alguma alegria – ou pelo menos de uma forte esperança. Vamos ver o que a nova Ministra da Saúde está propondo, em entrevista coletiva recente, 10 de janeiro pp, na qual os jornalistas, por mais perguntas que fizessem, foram tratados com urbanidade, respeito – e até carinho em alguns casos. Tudo muito diferente do que era antes…
Continue Lendo “Novos tempos na Saúde”A Saúde que devemos ter
Tenho em minha tela mais um documento firmado por representantes do setor privado em saúde (mas não só eles) com propostas para o novo governo que se inicia. Isso é motivo de regozijo e esperança para mim, pois acredito realmente que a separação “água e óleo” que historicamente domina a relação entre tais atores não mostra o melhor dos caminhos para resolvermos a problemática que nos cerca. Tenho escrito muito sobre isso aqui (ver alguns links ao final) e a pergunta que não se cala é: seria possível confiar nas associações do setor privado com o Poder Público? Sem querer dizer sim ou não, creio ser preciso não imaginar apenas que estaremos sempre enfrentando lobos em pele de cordeiro nesta questão. Sem dúvida, as distorções que a realidade mostra em toda parte e que dominam o imaginário dos militantes do SUS, não dependem apenas da voracidade empresarial capitalista, mas também de um somatório de corrupção, ineficiência e morosidade do Estado em cumprir seu papel. Com efeito, isso inclui ingredientes como monitoramento, rigor, ação just-in-time, assunção de noções como valor, economicidade, responsabilização, etc; além, é claro, de competência específica em fiscalização, auditoria e controle. Com este Estado frouxo (quando lida com poderosos, pelo menos) com que convivemos historicamente no Brasil, seria pouco provável obter sucesso em parcerias com o setor privado. É assim que muita gente pensa se não seria melhor deixar apenas aos cuidados do Poder Público aquela assistência rústica (para não usar palavras mais grosseiras) que ele oferece, deixando de lado, sempre e acima de tudo, o setor privado, por supor que com ele as coisas correriam de forma ainda pior. E feito este preâmbulo, vamos ao documento de propostas que foi citado acima.
Continue Lendo “A Saúde que devemos ter”Retrospectiva 2022 (o ano que já devia ter se encerrado…)
Este ano infeliz felizmente já se finda. Pelo retrovisor, é hora de analisar os acontecimentos que o compuseram. Ou, quem sabe, seria melhor esquecê-los? Não! Melhor lembrar, para não corrermos o risco de esquecer o verdadeiro nó cego em que fomos colocados, graças à escolha insensata de um punhado de brasileiros que pareciam, em 2018, não ter os pés na realidade. Um tanto deles ainda estão em tal posição, embora com pés trocados pelas mãos, agora atolados na lama até o pescoço e com os joelhos no chão. Brasil acima de tudo e Deus acima de todos – e alguns idiotas por fora de tudo – eis o lema que define essa gente. Mas agora há luzes no horizonte e embora não haja garantia de que não virão muitas dificuldades pela frente, sempre serão luzes. E através deste túnel que parecia não ter fim chegamos finalmente a um lugar mais arejado e claro. Assim, toca a fazer uma retrospectiva de 2022, valendo para o País e para o DF, como convém a esta época do ano.
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