O sujeito que ora se despede da cadeira de Presidente da República pode ter enganado muita gente, a respeito de muitas coisas, por demasiado tempo. Mas em certos assuntos, não se pode negar, ele cumpriu com rigor e esmero algumas das promessas que fez. Por exemplo, a de ter chegado ao Poder para destruir, não para construir – conforme disse textual e publicamente no início de seu mandato. Na Saúde, isso foi executado fervorosamente, por exemplo, através da nomeação de sucessivos mandatários incompetentes no comando de tal área, com o preenchimento de cargos técnicos com um batalhão de capitãs e capitães cloroquina de variada patente e escassa qualificação. Sem falar do descrédito lançado sobre os programas de imunização e outras ações de governo; a restrição de recursos a programas estratégicos; as propinas na compra de insumos; a prescrição de remédios sem efeito; as perdas derivadas de armazenamento de insumos sem qualquer controle; a sonegação de informações colocadas sob sigilo de um século; as idas e vindas das autoridades; além do maior escândalo de todos, este de proporções verdadeiramente bíblicas (literalmente…), qual seja a condução desastrosa e até mesmo criminosa, por premeditada, que marcou as ações do Governo Federal na pandemia de covid. De fato, é preciso contar com muita competência, resiliência e pertinácia do futuro governo para corrigir tanto desmantelamento. Assim, o que se espera do Governo Lula, na Saúde assim como em outras áreas, é de verdadeiro RECOMEÇO ou mesmo RECONSTRUÇÃO, mais do que retomada, reação, recuperação ou mera reavaliação. Que se ponha mãos a obra já a partir do primeiro dia de 2023! Mas há que se indagar: começar a partir de onde? Aqui vão algumas sugestões. Não será simples e muita água há de rolar por debaixo da ponte até se acertar o passo. O novo governo precisa ser ambicioso nas propostas, mas ao mesmo tempo cauteloso de até mesmo modesto nas estratégias, para não tornar a frustrar as expectativas dos cidadãos.
Continue Lendo “Guerra vencida? Nem tanto… Quase tudo por recomeçar.”Luz, mais luz!
Pois é, o lado ensolarado da História prevaleceu. Comemoremos, mas sem esquecer que as trevas não se dissiparam totalmente. Não falo apenas do que nos aguarda até o dia 31 de dezembro, quando as forças do mal ainda reterão um real poder nas mãos. Já não vamos passar tanta vergonha lá fora, mas é preciso lembrar do que ainda está por vir, neste país dilapidado em suas reservas materiais e simbólicas, com seus cidadãos divididos de forma tão drástica. Recompor tal quadro certamente será tarefa das mais árduas – para um gigante da negociação política, um mestre da resiliência, como Lula. Além do mais, seja qual for o destino que os agentes do obscurantismo tomarem, restarão pestilências no ambiente nacional por muito tempo. O novo governo deverá ter competência e credibilidade para reconstruir e pacificar o país. Nós, que o elegemos, precisamos ter, mais do que paciência histórica, capacidade de conciliar iniciativas individuais e coletivas de apoio, sem embargo de mantermos a vigilância crítica, para não truncar a tarefa de reconstrução. Não é luta apenas para os próximos meses, mas para anos inteiros. É algo que o País certamente ainda não viu em nenhum momento de sua história, mesmo quando deixou para trás as trevas da ditadura militar. Há muito o que fazer na saúde, na educação, no meio ambiente, na segurança pública, na economia e em tantas áreas mais. Mas o primeiro desafio, sem dúvida, será o de superar o estado de verdadeira polarização destrutiva com que nos deparamos até agora e passar a agir com os adversários de ontem de forma comunicativa, educativa, interativa, racional e solidária. Afinal, os partidários do bolsonarismo continuarão vivos e atuantes no cenário. Como trazê-los à luz da racionalidade? É a grande pergunta que se impõe.
Continue Lendo “Luz, mais luz!”Já fez sua escolha para o dia 30?
Eu já fiz a minha escolha e apesar de o voto ser secreto vou revelá-la. Não será a de votar simplesmente em uma pessoa, mas sim nas ideias, premissas e propostas justas e corretas que isso acarreta. Assim, declaro aqui que minha escolha no dia 30 será: pela Democracia, pela Igualdade, pela Justiça Social, pela inclusão, pelo respeito às diferenças, pela liberdade de crença e opinião política. Voto também pelo Estado laico, pelo respeito às leis, pela transparência dos orçamentos públicos, pelas atitudes decentes dos mandatários. Voto também em desfavor do arbítrio, do preconceito, da grosseria, do desrespeito às minorias, da mancomunação com políticos safados, da mercantilização da Fé, da falta de humanidade, do negacionismo, do charlatanismo, das associações espúrias com o crime organizado, da militarização da máquina pública. Contra qualquer forma de censura e de autoritarismo. E de quebra, votarei com a convicção e o orgulho de estar do lado certo da história, com o conforto de ver tanta gente de bem pensando igual a mim, com a imensa alegria de um dia poder prestar contas disso, de peito aberto, aos meus netos e descendentes em geral! Em uma só palavra: VOTO POR UM BRASIL MELHOR, VOTO PELO FUTURO DE NOSSA PÁTRIA! Não é preciso dizer mais nada, não é? Vamos lá: às urnas, meus irmãos!
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E por falar em ações de pessoas de bem, acessem…
Saúde nas eleições presidenciais: o grande vazio
O segundo turno das eleições presidenciais está quase chegando e eu não estou só preocupado como também decepcionado. Explico. Não tive decepções com Bolsonaro; a gente só tem decepções com quem um dia contou com nosso crédito, o que definitivamente não foi o meu caso, pois em relação a tal personagem nunca pintou um clima para mim. Com Lula, parafraseando Guimarães Rosa, tive sentimentos do tipo segundas e sábados, em função das oportunidades que creio terem sido perdidas na Saúde e também na Educação, nos 14 anos de governo do PT. Mas votarei nele, mais uma vez, com o coração. E também com o fígado, digamos assim, pois creio que o afastamento do sujeito que hoje ocupa o poder no país não seria apenas uma questão de escolher o menos pior, ou de querer o bem contra o mal, mas sim algo higiênico e até estético, uma opção entre a civilização e a barbárie. Simples assim. Mas a minha decepção, relativa à Saúde, é ver aquele lá, na sua habitual catarse visceral, falar apenas de suas fixações, mentiras e calúnias para se calar ou se defender com desfaçatez diante do que fez ou do que não fez. Já o outro fala do que realmente fez – e que tem substância, realmente – mas se cala diante do que poderia fazer no futuro, eis que tudo anda mal agora, por obra e (des)graça de inominável, mas que já no governo Dilma mostrava fraturas expostas, com necessidade de reparos urgentes. Mesmo sem deixar de reconhecer os avanços nos governos petistas, lamento que no financiamento e nas relações federativas na Saúde tivemos um quadro estacionário e até regressivo. Mas vamos tentar avançar nessa discussão, lembrando que debate e lives recentes não mudaram em nada minhas disposições a respeito do assunto aqui em pauta (e nem sei se terá mudado em alguém).
Continue Lendo “Saúde nas eleições presidenciais: o grande vazio”Os Evangélicos e a Saúde
Ultimamente, quando se discute no país política, liberdade religiosa, costumes e outros temas, se impõe logo uma questão que em outros tempos era pouco relevante: e os Evangélicos, o que pensam sobre isso? Sim, porque o que assistimos no Brasil é este grupo se tornar cada vez mais numeroso e influente, mas ao mesmo tempo e de maneira geral contribuindo para o estreitamento ou mesmo retrocesso no horizonte dentro do qual tais discussões deveriam acontecer. No tema da Saúde, independente de existirem preceitos bíblicos que imponham alguma ortodoxia nas discussões, o modo evangélico de pensar e agir se mostra nas posturas públicas que estes vêm assumindo, marcadas pelo negacionismo e pela intolerância face a quem tenha uma normatividade diferente. Tudo isso, é claro, moldado pelo mito que reverenciam e em sintonia com as recomendações dos pastores, no seio daquelas numerosas igrejas-negócio. Mas neste assunto caberia lembrar também da operação das numerosas “comunidades terapêuticas” que o grupo evangélico sustenta no país, tendo como foco as pessoas que têm problemas com alcoolismo e uso de drogas, para as quais defendem o poder de cura da leitura dos Evangelhos e do trabalho forçado. Assim vêm obtendo cada vez maior sucesso em angariar verbas públicas, ainda mais agora que o mandatário que detém o poder no governo federal se mostra alinhado com tal pensamento. Assim, trago aqui uma reflexão sobre as tais Comunidades Terapêuticas, como marca da atuação religiosa dos evangélicos na saúde, esperando abrir caminho para discussões posteriores mais aprofundadas, inclusive com o convite a especialistas.
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