Como já disse o egrégio Senador Romero Jucá, pessoa que a história não deverá esquecer, alguém precisa estancar esta sangria… Ele falava da Lava-Jato. Nos falamos da saúde, território no qual rios de sangue correm no momento. Com efeito, indicadores negativos de saúde no Brasil vão se acumulando, por exemplo, na mortalidade infantil, na desnutrição crônica, nas mortes maternas, na cobertura vacinal de crianças e até na volta de doenças anteriormente controladas, como o sarampo. De maneira que já não surpreende ninguém, o tema também foi solenemente ignorado nas entrevistas e debates já realizados com os candidatos à Presidência da República. A jornalista Claudia Collucci, da FSP, muito apropriadamente pergunta: o que mais precisa piorar para que o país busque formas de estancar essa hemorragia a que estamos assistindo na saúde pública? Continue Lendo “Saúde: sangria desatada no Brasil”
Enquanto isso, em Patópolis…
Acabei de ler por esses dias o livro do médico patologista paulistano e professor da USP Paulo Saldiva, intitulado Vida Urbana e Saúde. Nele o autor constata que a vida nos centros urbanos, que no Brasil abrigam mais de 80% da população, não traz apenas oportunidades (inquestionáveis) para quem nelas vive, mas também muitos riscos. E a partir daí desenvolve um conceito de Cidade Saudável, através de metáforas médicas. Mas Saldiva é inteligente o bastante para não transformar suas ideias e propostas em assertivas simplórias ou reducionistas e muito menos querer tratar o corpo urbano como se fosse um corpo humano. O que ele vê é uma cidade adoecida, a ser transformada e curada. Poderíamos chamar tal cidade de disfuncional, mas me apeteceu arranjar-lhe outro apelido: Patópolis. A referência, aqui, não é Disney e seus simpáticos palmípedes, nem mesmo a FIESP, mas sim a boa e velha língua grega. Pathos, que está em patologia e em alopatia, por exemplo, e que significa doença, mais polis, cidade. Continue Lendo “Enquanto isso, em Patópolis…”
De baratas, banheiros, avisos e espéculos – o que realmente importa em uma Unidade de Saúde?
Conforme nos revela a Agência Brasil (ver link ao final) o Conselho Federal de Medicina acaba de divulgar um levantamento realizado por suas instâncias regionais (CRM), relativo a visitas que ocorreram entre 2014 e 2017 a 4,6 mil unidades de saúde, incluindo aquelas onde funcionam unidades básicas de saúde (UBS) e equipes de saúde da família (ESF). O cenário é de fato assustador, marcado por problemas de infraestrutura, condições de higiene precárias e falta de equipamentos básicos. Do total de estabelecimentos visitados durante o período, 24% apresentavam, na data da fiscalização, mais de 50 itens em desconformidade com o estabelecido pelas normas sanitárias. Assim, em nada menos do que 81 unidades de saúde não havia consultório; em 268, não havia sala de procedimentos/curativos; 551 não tinham recepção/sala de espera; 34% dos locais vistoriados não possuíam sanitário adaptado para deficiente; 18% não tinham sala de expurgo/esterilização; 16% não possuíam sala de atendimento de enfermagem; 13% não dispunham de farmácia ou sala de distribuição de medicamentos. E vai por aí a fora… Continue Lendo “De baratas, banheiros, avisos e espéculos – o que realmente importa em uma Unidade de Saúde?”
Organizações Sociais na Saúde: melhor tê-las, ou não?
A gestão de serviços de saúde por Organizações Sociais, não pela administração direta estatal, tem sido pauta corriqueira na mídia do DF. Muitos são contra, entre eles os militantes sindicais, os políticos de oposição ao governo local e alguns (mas não todos) membros do Ministério Público. Em foco, particularmente, dois casos concretos e atuais: a parceria com a Organização Social Icipe, responsável pela gestão do Hospital da Criança de Brasília e a constituição da nova entidade chamada Instituto Hospital de Base. São situações diferentes, embora colocadas no mesmo saco de uma possível “privatização da saúde”. Os detratores de tais iniciativas, particularmente os sindicalistas e os políticos de oposição não devem usufruir de nenhum “benefício da dúvida”, pois estão apenas cumprindo seu papel (distorcido às vezes) de fazer política partidária ou defender privilégios corporativos. No fim do arco íris, contudo, a verdade certamente existe e aparecerá. Argumentos interessantes (e bem fundamentados) estão colocados no artigo abaixo, de autoria de Renilson Rehem. Continue Lendo “Organizações Sociais na Saúde: melhor tê-las, ou não?”
O NHS, o SUS e a saúde no DF
Neste exato ano de 2018, o Sistema Nacional de Saúde Britânico, o NHS (National Health Services) completa 70 anos de existência. Por coincidência, o nosso SUS completa 30. E é provável que a formulação que deu origem ao sistema de saúde da Capital Federal do Brasil, ainda em construção na ocasião, esteja completando 60 anos. O que tem uma coisa a ver com a outra (e a outra)? Isso vale alguma digressão. Vamos a ela. Continue Lendo “O NHS, o SUS e a saúde no DF”
