Vossas Excelências chegaram tarde…

Noticia o Correio Braziliense que as obras do famigerado Trevo de Triagem da Asa Norte e estão sob a mira do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), que divulgou relatório no dia 30 de janeiro de 2018, mostrando que resíduos de construções nesses bairros escorrem por galerias e pelo solo até chegar ao Lago Paranoá, onde o material se acumula formando, inclusive, ilhas sobre o espelho d’água. Ótimo! A questão é que essas obras estão em andamento há pelo menos dois anos e só agora Suas Excelências resolvem agir. E já deve estar pensando em proferir aquele famoso “pára tudo!”, que lhes é peculiar. Boa maneira de somar prejuízos ambientais e materiais e deixar a questão principal sem ser atacada. Vamos combinar: controle tardio e fora de hora não adianta nada – é mera controlose, ou seja, uma patologia do que deveria ser a real tarefa de quem é encarregado de zelar pela coisa pública… Algum holofote deve ter se acendido na Asa Norte…

Leia a matéria do CB: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2018/01/30/interna_cidadesdf,656692/relatorio-do-mpdft-denuncia-obras-que-poluem-o-lago-paranoa.shtml

E veja também comentário anterior do editor deste blog sobre a tal da “controlose”:

https://observatoriosaudedf.wordpress.com/2018/01/15/de-controle-controlismo-controlite-e-controlose/

A Atenção Primária à Saúde no DF

A Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal, através de sua Coordenação de Atenção Primária à Saúde acaba de lançar, em versão disponível on-line (ver link ao final) um Guia de Referência relativo à Carteira de Serviços da Atenção Primária à Saúde. É um trabalho coletivo de fôlego, com mais de 250 páginas. O ponto de partida é a RENASES – Relação Nacional de Ações e Serviços de Saúde, que explicita todas as ações e serviços de saúde ofertados pelo SUS. Assim, está previsto na Portaria MS/GM nº 841 de 2 maio de 2012, que criou tal relação de ações e serviços, que os entes federativos poderão adotar relações específicas e complementares as ações e serviços de saúde, em consonância com a mesma, respeitadas as responsabilidades dos entes pelo seu financiamento. Assim é que no DF foi definida a relação de ações e serviços a serem ofertados na atenção primária de saúde (APS), mobilizando em sua elaboração profissionais da de várias áreas técnicas da SES, mediante consenso em relação as especificidades do Distrito Federal . Continue Lendo “A Atenção Primária à Saúde no DF”

Tem jeito?

Problemas não faltam para o governador do DF, que tem sua gestão marcada pela crise hídrica, por problemas crônicos de caixa e também pela relação complicada com a fisiológica e oportunista Câmara Legislativa do DF. Parece, agora, que há uma “agenda positiva” (ponhamos aspas…) em curso. Com efeito, Rollemberg acaba de anunciar a desobstrução da orla do Lago Paranoá, a desativação do Lixão da Estrutural, bem como pressões para que famigerada Câmara Legislativa aprove a liberação de recursos para a unificação da Previdência dos servidores. Neste último quesito ele entra em território onírico, afirmando que isso lhe permitirá contratar “milhares de servidores da área da Saúde”, e assim voltar a por para funcionar serviços diversos fechados nos últimos anos por falta de pessoal. Continue Lendo “Tem jeito?”

Entorno ou transtorno?

Ainda em setembro de 2017, representantes do DF e de municípios do Entorno do DF goiano e mineiro se reuniram em Brasília para articularem ações mais integradas e coerentes em matéria de saúde. Parece novidade, mas reuniões deste tipo ocorrem, com certa regularidade, ao longo das últimas décadas. Resultados, quase nenhum… No evento de 26 de setembro, entre outros temas, foram debatidos o processo de reforma da atenção primária em Brasília e os eventuais impactos das mudanças na Região Integrada de Desenvolvimento do DF e Entorno (Ride). Além disso, Goiás e DF expuseram as medidas adotadas e o acompanhamento de doenças causadas por mosquitos. Uma acaciana observação foi proferida, na ocasião, pelo Secretário de Saúde do DF, Humberto Fonseca: “Se seguirmos [atuando] em conjunto, nós teremos uma eficiência muito maior”. Continue Lendo “Entorno ou transtorno?”

Você conhece Bandeira de Melo?

Vocês são capazes de imaginar o sistema de saúde do Df como uma máquina lubrificada e bem funcionante, ao contrário da balbúrdia e do empurra-empurra que domina o terreno atualmente? Difícil, não é? O contrário disso seria uma rede articulada de serviços, na qual as pessoas seriam (bem) atendidas inicialmente em Centros de saúde de seus bairros, depois de serem avaliadas ou tratadas por médicos generalistas e respectivas equipes de saúde e só então seriam encaminhadas aos serviços de emergência. E estes, por sua vez, não precisariam se ocupar da dissolução das filas contumazes, considerando que só teriam acesso a eles aqueles pacientes que realmente necessitassem de cuidados de emergência, já que teriam sido previamente acolhidos e orientados em unidades de menor poder tecnológico, mas de grande capacidade resolutiva. As pessoas seriam registradas e ficariam sob responsabilidade dos serviços locais de saúde. Quando mudassem de bairro, iriam naturalmente ao novo Centro de Saúde levar sua ficha para se inscrever e passar a fazer parte da lista de pacientes sob responsabilidade não só do médico de família como da equipe local. E os profissionais ganhariam adicionais em seus salários não pelo mero número de consultas atendidas, mas pela capacidade demonstrada em reduzir as complicações da diabete, da hipertensão arterial da vida sedentária, do tabagismo. E, principalmente, em função da avaliação positica que recebessem dos que ali foram atendidos. Continue Lendo “Você conhece Bandeira de Melo?”