De Alma Ata a Astana

Em 1978, no longínquo Cazaquistão, mais precisamente em uma cidade de lindo nome, Alma-Ata, realizou-se uma conferência internacional, patrocinada pela Organização Mundial da Saúde, tendo como tema a Atenção Primária à Saúde, que no Brasil é mais conhecida como Atenção Básica. Como é de praxe em tais ocasiões, uma declaração formal foi preparada e até hoje é muito comentada em todo o mundo. Nela, em uma dezena de tópicos, se apelou para que os governos, especialmente dos países em desenvolvimento, bem como outras entidades e organizações, se empenhassem em encontrar soluções urgentes para transformar a promoção da saúde como uma das prioridades da nova ordem econômica internacional. O lema de então era: Saúde para todos no ano 2.000. Pois bem, o referido ano já chegou, já se vão quase duas décadas. E aquela generosa “saúde para todos” ainda é, lamentavelmente, apenas “saúde para poucos”. Mas a esperança é a última que morre…
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Centros de Saúde tradicionais x Unidades de Saúde da Família: é tudo a mesma coisa?

Em um dos últimos posts aqui no blog confesso ter cometido algumas ironias relativas a “novidades” previsíveis no cenário eleitoral do DF, que tem primado até agora por absoluta carência de propostas consequentes na área da saúde. Uma de tais “novidades” seria a volta dos centros de saúde da era Frejat, que até hoje muitos celebram por aqui (tanto o homem como suas realizações). Discordâncias – estas sim, totalmente previsíveis – já surgiram e na verdade alimentam uma antiga polêmica que tenho com alguns amigos, ou seja, se o modelo tradicional de atenção básica praticada no Brasil equivale ao Saúde da Família contemporâneo. Eles acham que sim, que é tudo a mesma coisa. Eu acho que não. É claro que estou falando de SF nos moldes preconizados na Política Nacional de Atenção Básica (embora a mesma tenha recebido alguns remendos pouco recomendáveis recentemente) e não em alguns simulacros que andam, por aí, os famosos “programas precários para pobre e para ‘por placa’”, para ficarmos só na sua qualificação com a letra “P”. Isso interessa diretamente à nossa cidade, vejamos por que… Continue Lendo “Centros de Saúde tradicionais x Unidades de Saúde da Família: é tudo a mesma coisa?”

Atenção candidatos no DF: saibam como se organiza a Saúde, na palavra de especialistas

As eleições se aproximam e apenas alguns (pré) candidatos anunciam, com clareza mínima. o que pretendem fazer em relação ao nosso combalido sistema de saúde. Rollemberg,, que está no poder, está sendo mais explícito, considerando que podemos imaginar que dará seguimento à sua política de “conversão” para a atenção básica. Fátima Souza, justiça seja feita, tem propostas concretas, também. Jofran Frejat certamente se apegará ao seu passado e defenderá “o mais do mesmo”, ou seja, a repetição do que já fez antes e talvez já tenha sido superado. O General dirá que vai nomear um Coronel para a SES-DF… De olho nos chamados “evangélicos’ (temendo evitar uma generalização indevida) é provável que estes – e os demais candidatos – serão assediados (e gostarão muito disso…) pelos pastores pentecostais, em busca de bons negócios, que lhes acrescentem dividendos aos dízimos… E não me surpreenderá que tal negócio possa incluir a operação de unidades do sistema de saúde através de organizações “sociais” constituídas ad-hoc. Anotem o que estou dizendo. E saibam mais…    Continue Lendo “Atenção candidatos no DF: saibam como se organiza a Saúde, na palavra de especialistas”

Os enfermeiros e a Atenção Primária à Saúde

Escrevendo esta nota de maneira um tanto rápida, não pude apurar números exatos, mas creio que se pode afirmar que existem, no DF e seu Entorno, talvez uma dezena de cursos superiores de enfermagem, que colocam no mercado algumas centenas de profissionais e cada ano. Fico curioso em saber onde vão essas pessoas cumprir seu destino profissional. Acredito que a maioria é daqui e aqui deve ficar, até porque existem cursos dessa natureza em quase toda parte no Brasil, e assim as migrações não fariam muito sentido. A maioria dos formandos talvez procure seu primeiro emprego em hospitais. Afinal, é a este tipo de estabelecimento que se associa mais frequentemente o papel da enfermeira(o), desde os tempos Nightingalianos… Continue Lendo “Os enfermeiros e a Atenção Primária à Saúde”

Atenção Primária à Saúde: cuidado para não atirar pela janela criança e água do banho…

Com relação ao recente Seminário da OPAS sobre Atenção Primaria à Saúde, realizado em Brasília nos dias 17 e 18 de abril último, conforme noticiamos aqui no blog, vamos destacar algumas das principais informações trazidas pelos palestrantes. O que nos trouxe, por exemplo, James A. Macinko, Phd e Professor Titular dos Departamentos de Administração Publica e Saúde Comunitária da  Faculdade de Saúde Publica/Universidade De Califórnia, Los Angeles. Para ele, a Atenção Primaria à Saúde é essencial nos sistemas de saúde realmente dignos deste nome e a Estratégia Saúde da Família brasileira constitui um modelo forte e bem sucedido de APS. Continue Lendo “Atenção Primária à Saúde: cuidado para não atirar pela janela criança e água do banho…”