Da anomia nos serviços de saúde

No preâmbulo do livro seminal de Barbara Starsfield sobre Atenção Primária à Saúde há uma frase de paciente que é altamente reveladora de um dos grandes dilemas dos sistemas de saúde atuais, ou seja, em tradução aproximada: eu já passei por muitos médicos, mas queria ter apenas um, que juntasse tudo. Acho que todos nós somos testemunhas disso, senão em termos pessoais, com certeza em relação a nossas famílias, nossa rede de conhecidos ou nos próprios serviços em que interagimos profissionalmente. E há muitos problemas mais a rodear a prestação de cuidados à saúde e, com efeito, um dos resultados mais nocivos da fragmentação que caracteriza os serviços de saúde atuais é exatamente a contradição entre a escassez, por um lado, e a multiplicidade, por outro, dos meios utilizados na assistência, porém não levando, de fato, à produção satisfatória de indicadores de saúde, ao conforto dos pacientes, à facilitação da vida dos que prestam serviços, além de acarretar custos enormes aos processos relativos à assistência. O que existe muitas vezes é um autêntico antissistema de antisserviços, sem dúvida, que na verdade não deveria interessar a ninguém. Fragmentação, palavra usa usada acima, é um termo apropriado para englobar uma parte apreciável dos problemas que envolvem, cada vez mais e em toda parte, a oferta de serviços de saúde, ou seja, aqueles que de fato mereçam a qualificação de serem serviços (cuidados) que tenham como objetivo real a saúde (das pessoas).

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De Porteiros e Navegadores

No preâmbulo do livro seminal de Barbara Starsfield sobre Atenção Primária à Saúde há uma frase de paciente que é altamente reveladora de um dos grandes dilemas dos sistemas de saúde atuais, ou seja, em tradução aproximada: eu já passei por muitos médicos, mas queria ter apenas um, que juntasse tudo. Acho que todos nós somos testemunhas disso, se não em termos pessoais, com certeza em relação a nossas famílias, nossa rede de conhecidos ou nos serviços de saúde com os quais interagimos profissionalmente. Com efeito, um dos resultados mais nocivos da fragmentação que caracteriza os serviços de saúde atuais é exatamente a contradição entre a escassez, por um lado, e a multiplicidade, por outro, dos meios utilizados na assistência, não levando à produção satisfatória de indicadores de saúde, ao conforto dos pacientes, à facilitação da vida dos que prestam serviços, além de acarretar custos enormes aos processos relativos à assistência. É um antissistema de antisserviços, sem dúvida, que na verdade não interessa a ninguém. Mas será que existem soluções? Examinemos uma possibilidade. É algo que interessa diretamente a prestação pública de serviços de saúde, inclusive aqui na nossa cidade. Continue Lendo “De Porteiros e Navegadores”