O exemplo a ser lembrado aqui não é o das Mulheres de Atenas, de Chico Buarque (na verdade um contraexemplo). Ele vem de pelo menos uma cidade brasileira e também de um país latino-americano, que de fato estão fazendo a coisa certa no controle da atual pandemia. Afinal, felizmente, nem tudo o que temos assistido, nos últimos tempos, é aquilo que Drummond considerou como “um vácuo atormentado, um sistema de erros”. Coisa que, aliás, a realidade do Brasil, nos impõe a toda hora. Pois bem, o país é o nosso vizinho ao Sul, ele mesmo, El Paisito, nossa antiga Província Cisplatina, o Uruguai. E a cidade é São Caetano do Sul, de prováveis muitas misérias, mas mesmo assim dando exemplos a cidades mais ricas e teoricamente mais governáveis. Continue Lendo “Covid-19: lembrem-se do exemplo… (de quem faz a coisa certa).”
Leitos de UTI no DF: uma crise, dentro da outra crise, dentro de mais uma crise…
Covid 19 no DF: nunca se viu algo assim. Parecia que tudo ia bem, mas de repente, as medidas de proteção são relaxadas antes da hora; os testes diagnósticos foram adquiridos e usados de maneira equivocada; as mortes se aceleraram; os casos novos galoparam; os leitos de UTI já não dão para o gasto; as informações dentro da própria máquina de governo enlouqueceram. E o Buriti se espelha no Alvorada: um secretário é trocado em plena crise o governador desfila sem máscara (ou quem sabe, lhe caiu a máscara?). Tudo isso lembra aquelas bonecas russas em série, as matriochkas, que se encaixam uma dentro da outra e vão revelando aquele “museu de grandes novidades”, de que falava Cazuza. No caso, aqui no DF, novidades de má catadura. As bonecas-mães (matriochka = “mãezinha”), atendem pelos nomes de Jair Messias e Ibaneis Rocha, não nos esqueçamos. Foram feitas, ao que parece, uma sob medida para a outra. Aliás, o nosso governador lembra aquele nosso colega de escola que acertava as perguntas no professor no início, mas logo descambava para a mais completa ignorância, afinal reveladora de quem realmente ele era. Personagem de programa humorístico, talvez, mas no caso, totalmente sem graça. Mas vamos ao que interessa: a bola da vez são os leitos de UTI…
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O alto risco dos profissionais de saúde na atual pandemia
A “gripezinha” continua matando gente, aos montes, e os profissionais de saúde, particularmente da Enfermagem, que mantêm contato mais próximo com os pacientes nos hospitais e ambulatórios, estão sofrendo horrores com isso, inclusive com muitas mortes. Acabo de ler o resultado de uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas sobre os riscos à saúde que a atual pandemia tem levado às enfermeiras e enfermeiros no Brasil. É de arrepiar. Apesar disso, um desses pleonásticos bolso-loucos ainda foi capaz de agredi-los diretamente numa manifestação em Brasília. Coisas deste país em des-governo. Leia mais. Continue Lendo “O alto risco dos profissionais de saúde na atual pandemia”
Covid-19 (de junho) no DF
Por estes dias ficamos sabendo de uma curiosidade trazida à luz por historiadores, qual seja que, em meados do século XIX, o Rio de Janeiro foi assolado por uma epidemia de febre amarela, trazida da Europa a bordo de navios. Foram muitas as mortes e entre os intensos debates travados na ocasião, registraram-se muitas controvérsias em que se envolveram membros do Legislativo, com alguns deles perorando contra o “sensacionalismo e o estado de terror” que as notícias da epidemia instilavam na população, denunciando também os possíveis equívocos dos diagnósticos firmados pelos médicos. Um desses políticos, um senador mineiro, morreu de febre amarela poucos dias depois de apoiar com veemência tais ideias negacionistas. Pelo visto, é história que se repete hoje. É bem verdade que o Imperador D. Pedro II não entrou em tal clima e chegou até a visitar doentes nos hospitais, reconhecendo a relevância do problema. Mas como dizia Karl Marx, a história se repete como como farsa. E por falar nisso, em termos de Covid 19, como estão as coisas hoje, dia 19 de junho de 2020, no Brasil e aqui no DF, mais de um século e meio após os eventos no Rio de Janeiro? O que temos de farsa ou verdade no cenário? Continue Lendo “Covid-19 (de junho) no DF”
Covid-19 no DF: de onde viemos, para onde vamos (II)
Os dados que temos sobre a atual pandemia, divulgados pela imprensa, têm primado pela apresentação de números absolutos, de totais de mortes ou de casos, sem levar em conta a proporção dos mesmos em relação à população de cada local (ou por 100 mil habitantes). E isso aí é o que realmente importa. Até o presidente entendeu isso, mas se deu mal ao pedir aos repórteres que o inquiriam na porta do Alvorada que comparassem o Brasil com a Argentina ou a Suécia. E “deu ruim” nos dois casos, visto que ficamos em situação incômoda perante Los Hermanos e a Suécia não era aquilo que se imaginava, com sua política relax, guindada de repente ao submundo do mau controle da pandemia. De toda forma, é preciso fugir de certa “placarização” ou “futebolização” dos números, não no sentido escamoteador que o governo quer, mas não deixa de ser estranha esta elaboração de rankings, como se alguma coisa muito positiva estivesse em jogo, e não o contrário. Assim, como já o fiz há um mês, trago aqui uma comparação do DF, em termos de incidência por 100 mil habitantes, com um conjunto de capitais brasileiras, duas ou três de cada região e com população próxima ou superior a um milhão de habitantes. Os dados são da última semana, entre o final de maio e o dia dois de junho. Como fica o DF nesta história? Veja a seguir. Continue Lendo “Covid-19 no DF: de onde viemos, para onde vamos (II)”
