Mais de 700 mil vidas perdidas no Brasil e o patético troglodita do Palácio do Planalto propaga que fez a coisa certa, entre uma ou outra referência à cloroquina e um lampeiro beija-mão concedido ao Conselho Federal de Medicina. Mas há coisas mais sérias no cenário. Por exemplo, matéria divulgada no The Lancet (não se trata de uma publicação comunista…), no qual se propõe novas estratégias para conciliar políticas de saúde e de desenvolvimento sustentáveis no período pós pandemia, que começa a raiar no horizonte. Seu conteúdo, naturalmente, se coloca em sentido totalmente contrário ao que divulgam as autoridades brasileiras, em seu notório charlatanismo mal informado e sobretudo mal-intencionado, que multiplica nossa vergonha perante o mundo. Ali se fala da construção de um futuro pós-pandêmico, no qual se deverá promover e proteger a saúde de todos os cidadãos, dentro da pressuposição de que os eventos atuais têm muito a ensinar. Os autores, especialistas de uma ampla variedade de origens institucionais e geográficas, foram reunidos pela Organização Mundial da Saúde, e se alinham a uma agenda ambiciosa para alcançar um futuro saudável e seguro para todos. Eles começam falando de como crises como os ataques de 11 de setembro de 2001, as consequências do conflito e da migração, a crise financeira de 2007 e a pandemia COVID-19 afetaram a situação social no mundo. A pandemia, como se sabe, se espalhou rapidamente entre os países, embora nem todos tenham sido afetados da mesma forma.
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Pois é, interrompemos nossas atividades desde a primeira quinzena de janeiro. Mas estamos de volta, com posts semanais, sempre aos sábados. Como perdi minha agenda de contatos, devido um furto de celular, fiquei completamente às escuras durante este período e só agora posso retomar minha vida na rede. E vamos lá: o assunto hoje é, mais uma vez, Covid; passados dois anos está difícil mudar… Hoje quero retomar a discussão sobre o papel do modelo assistencial em saúde e seu impacto na pandemia, assunto que, aliás, já tratei aqui em diversas ocasiões. Mas hoje trago aqui algo relevante, de autores que eu inclusive conheço pessoalmente (ver link ao final), que é uma matriz de análise que facilita, de fato, compreender e categorizar as contribuições da Atenção Primária à Saúde no controle da atual pandemia. Como já escrevi aqui antes, além de distanciamento, álcool gel, máscara, medidas educativas e restritivas, é preciso também contar com um modelo de atenção à saúde adequado, para se alcançar resultados consistentes no controle. Trata-se, assim, de uma matriz de repertórios possíveis para a APS em circunstâncias de crise como a atual, baseada na literatura internacional e particularmente na Iniciativa da OPAS-Brasil denominada APS Forte/2020, constituída por cinco linhas de atuação.
Continue Lendo “De volta: Covid e a importância das ações na porta de entrada”Vacina, máscara, álcool, distanciamento – mas ainda falta algo…
O que faltaria, afinal? Eu poderia estar falando de responsabilidade social e solidariedade, para de imediato trazer à conversa a delinquência contumaz desse indivíduo doentio que ocupa a presidência da república, que nunca teve representação tão minúscula como ora se vê no Brasil. Mas isso já virou assunto batido, aqui e alhures, ainda não superado, embora, para nosso consolo, outubro de 2022 venha aí. O tema aqui é outro, qual seja, a maneira como se organizam os serviços de saúde, seja em termos locais (principalmente), nacionais ou globais, com o efeito disso sobre o controle da Covid-19. Trago aqui excelente artigo de gente que conheço de perto (ver link ao final) – e que realmente entende do assunto – no qual analisam experiências brasileiras de Atenção Primária à Saúde (APS) no enfrentamento da atual pandemia de Covid-19, demonstrando que a tal organização do modelo assistencial em saúde, particularmente na porta de entrada do sistema, é fundamental para o sucesso das medidas de prevenção, proteção e controle. Assim, há mais coisas no cenário do que apenas vacina, máscara, álcool, distanciamento. Precisamos ter também um modelo de saúde adequado, com responsabilidade social e solidariedade, junto com uma sociedade consciente e disposta a cobrar o que lhe é devido.
Continue Lendo “Vacina, máscara, álcool, distanciamento – mas ainda falta algo…”O que será que será (na era pós covid)?
Ainda sob o impacto de 600 mil vidas perdidas no Brasil e das funestas e irresponsáveis ações de nossas autoridades, particularmente diante da patética alocução de Jair Messias na Assembleia Geral da ONU nesta semana (haja adjetivos!), analiso aqui um artigo recentíssimo saído no The Lancet (que como todos sabem, NÃO se trata de uma publicação comunista...), no qual se traz algo tão momentoso quanto A new strategy for health and sustainable development in the light of the COVID-19 pandemic e seu conteúdo, naturalmente, se coloca em sentido totalmente contrário ao que divulgam as autoridades brasileiras, especialmente em relação ao charlatanismo mal informado e sobretudo mal intencionado do Presidente da República. Antes que sejamos sepultados pela montanha de detritos que projeta nossa vergonha perante o mundo... O artigo em pauta visa contribuir para a construção do futuro pós-pandêmico, no qual será preciso promover e proteger a saúde de todos os cidadãos, para o que os eventos da atual pandemia e de outras crises anteriores têm muito a ensinar. Os autores fazem parte de uma Comissão Pan-Europeia sobre Saúde e Desenvolvimento Sustentável, criada pelo Escritório Regional da OMS para a Europa, sendo eles especialistas de uma ampla variedade de origens institucionais e geográficas, buscando com o presente texto uma agenda ambiciosa para alcançar um futuro saudável e seguro para todos.Continue Lendo “O que será que será (na era pós covid)?”
Covid no DF: já é possível relaxar?
A situação da pandemia aqui no DF parece dar alguns sinais de arrefecimento nas últimas semanas, eis que a chamada média móvel de mortes chegou a 12 no final de julho, enquanto em abril último passava de 70. Já o número total de óbitos está prestes a chegar aos 10 mil, cabendo indagar, sempre, quantos desses poderiam ter sido evitados. Naturalmente (embora isso não seja aceitável) a maior concentração de mortes provem das regiões mais pobres da cidade. O número de casos/dia sem dúvida também está em decréscimo, embora estacionado em torno de 700 por dia, chegando ao total de 451 mil desde o início da pandemia. Nos leitos de UTI e reservados para Covid, a taxa de ocupação média está em 55% na rede pública, porém ultrapassando os 80% no Hospital de Base e os 90% em Samambaia, com percentuais em torno de 60% em Santa Maria e HRAN, índice que até há dois meses atrás esteve sempre em patamares bem mais elevados. Já seria possível relaxar com as medidas sanitárias frente à pandemia? Ainda não, certamente, mas resta saber se o Governador, as demais autoridades, além de certos setores da população, estariam conscientes das questões envolvidas em uma eventual liberação. E cabe a pergunta, que o futuro acabará por dirimir: aqui no DF se agiu de maneira correta frente à Sars-Covid-19 ao longo desses tensos 18 meses do desenrolar da pandemia?
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