Na verdadeira Democracia, votar não é tudo…

Pois é amigos, este blog se destina, essencialmente a falar sobre Saúde. Mas se o assunto é Democracia, como o de hoje, é bom lembrar que isso não faz com que se escape do tema principal, sendo certo que uma coisa tenha muito a ver com a outra. Não que um regime democrático, por si só, garanta boa saúde a alguém, mas com certeza isso teria mais condições de se estender e prosperar quando viceja em ambientes de igualdade e respeito a oportunidades e direitos, sensibilidade às diferenças, mecanismos de ausculta popular bem desenvolvidos etc. Além disso, é sem dúvida valiosa a ocorrência de eleições e processos de escolha por votação em geral, embora caibam discussões sobre a ordem de preponderância de tais fatores. Na presente digressão, quero começar com uma breve memória de episódio que presenciei muitos anos atrás, (aliás, mais de uma vez) quando fui secretário municipal de saúde em Uberlândia. Era uma daquelas reuniões comunitárias para decidir alguma coisa sobre transporte urbano, com foco bem técnico e ligado a localização das paradas, vias em mão ou contramão, frequência de horários etc. As discussões corriam acaloradas, com variadas propostas, algumas delas contraditórias entre si emergindo a cada momento da plenária, que se realizava em um ambiente abafado e pouco confortável de um salão paroquial de uma Igreja Católica de periferia. Até aí, tudo bem, fazia parte do jogo. Quando a sessão estava no auge de sua tensão, um colega, também Secretário da Prefeitura, que chamara para si a condução da reunião, decretou, com toda a boa intenção que lhe era peculiar, que chegara a hora de se votar, pois afinal de contas já se acumulavam propostas diversas e divergentes, sendo preciso, assim, dar “objetividade” àquela coisa. Votar? Naquele momento da discussão? Que engano mais “ledo”! Além disso, quem poderia garantir que os termos técnicos ali discutidos de fato seriam melhor esclarecidos através de uma reunião comunitária?  

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