Covid não é só uma questão de álcool-gel, vacina e isolamento…

Tenho chamado atenção aqui e isso está claro também na literatura, inclusive internacional, sobre a contribuição da atenção primária à saúde (APS), aqui considerada em sua acepção completa e não improvisada, no controle da atual pandemia. Com efeito, fala-se muito em máscaras, álcool gel, isolamento social, testagens, vacina e outras medidas, todas muito importantes, mas também tal item estratégico, ou seja, a maneira como se organiza o modelo assistencial, deveria fazer parte de todas as recomendações relativas ao enfrentamento da atual situação. Esta representa, aliás, o maior problema sanitário que várias gerações viveram, seja no Brasil ou no Mundo. Mas falar de APS, ou melhor, de uma APS adequada, deve deve incluir obrigatoriamente: (a) responsabilização, em termos transversais e longitudinais, incidindo sobre pessoas, famílias e comunidade; (b) processos diferenciados de trabalho, que dizem respeito a equipes multiprofissionais, acompanhamento domiciliar, abordagem epidemiológica, acolhimento e utilização de indicadores de satisfação; (c) intervenções baseadas em evidências clínicas, epidemiológicas, sociais, financeiras; (d) atuação proativa, em termos de identificação e vinculo da clientela, além de coordenação do processos de atenção como um todo; (e) gestão da saúde em termos populacionais. A este respeito, a Organização Panamericana de Saúde no Brasil (OPAS), com apoio do Ministério da Saúde (o qual, se não atrapalhar, na atual conjuntura, já ajuda bastante) acaba de divulgar uma interessante coletânea de experiências, que você conhecerá a seguir.  

O pressuposto de tal iniciativa é o de que no combate à pandemia da Covid-19 torna-se fundamental identificar, dar visibilidade, reconhecer e compartilhar iniciativas locais, municipais ou regionais que respondam satisfatoriamente às necessidades coletivas de saúde. Surgiu assim a presente iniciativa da OPAS/OMS, com apoio da Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS/MS), denominada APS Forte no SUS no combate à pandemia, através da qual se busca o intercâmbio de práticas inovadoras específicas, fundadas na APS. Foram localizadas e inscritas cerca de 1.500 experiências, as quais obedecem aos princípios de ampliar o acesso à atenção à saúde, melhorar a qualidade e resolutividade dos serviços, fortalecer o vínculo com usuário e comunidade, além de garantir a continuidade do cuidado, medidas estas que são essenciais no fortalecimento dos sistemas de saúde, tornando-os mais eficientes e sustentáveis, mostrando, além do mais, a eficácia de uma APS forte, resolutiva e capaz de proporcionar acesso de qualidade aos usuários do SUS no combate à presente pandemia.

As experiência coletadas por todo o Brasil incidem sobre seis temas principais: 1. Organização dos serviços propriamente dita; 2. Cuidados específicos com as condições crônicas; 3. Segurança de usuários e profissionais de saúde; 4. Tecnologias de informação e comunicação; 5. Vigilância em Saúde; 6. Ações intersetoriais.

Mas atenção: o combate à pandemia exige mais do que álcool-gel, vacinas, isolamento e mesmo uma APS robusta. É fundamental ter senso de responsabilidade e vergonha na cara também, ingredientes que andam em falta no andar de cima da Federação, mas certamente presentes, com abundância, em muitos municípios e estados brasileiros, como se pode ver neste milhar e meio de experiências ora divulgadas..

Conheça as experiências individualmente em: https://sisaps.saude.gov.br/eventos/apsforte/relatos

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Mais informações:

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Acontecimentos da semana…

“Chega de mimimi”, “vai comprar vacina com sua mãe”, “até quando vai se continuar chorando”. Eis alguns vazamentos que efluíram do esgoto presidencial nesta última semana. Nada surpreendente, naturalmente. Aliás, não há mais surpresas possíveis no Brasil de hoje. Enquanto isso, do fundo de suas covas, 260 mil mortos nos espreitam e outros tantos morituros esperam sua vez. Como se não bastasse, em São Paulo hoje e Brasília ainda anteontem, manifestações a favor do relaxamento das medidas de isolamento. Não é o fundo do poço, pois todos sabemos que o pior ainda está por vir. Alguns acham, como a jornalista Eliane Brum, que há um projeto nisso tudo. Eu discordo. Projetos, mesmo nefastos, são frutos de mentes que tenham um mínimo de racionalidade. Não é o caso presente. O que temos é confusão, loucura, perversidade, indiferença, truculência, falta de escrúpulos, preconceito, má fé, além de muita ignorância e incivilidade. Trata-se de uma psicopatia grave isso que nos ameaça, de cujos prejuízos toda uma geração será cobrada no futuro. Não há algo como um “projeto” nas atitudes de tal personagem, a não ser que designemos como tal a intenção de promover o caos, no qual ele se arrisca a ser engolido também. A pergunta que não se cala no Brasil de hoje é: quem vai parar esta monstruosa sanha assassina e levar seu causador ao manicômio (do tipo destinado aos loucos perigosos) ou à prisão, sem esquecer de seus sequazes na família, no parlamento, nos tribunais, nas ruas e nos quartéis? Já chega, não é?

Uma resposta para “”

  1. Perversidade e loucura. São inaptos e ineptos, Incapazes e desprovidos de inteligência. Genocidas Irresponsáveis. É o que são.

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