Corrupção na Saúde: tem jeito?

Leio e ouço na mídia que toda a cúpula da Secretaria de Saúde do DF foi exonerada. Não tanto preventivamente, porque uma parte dos atingidos já tinha processos em andamento contra si. Não excluo a possibilidade, também, de que essa demissão em massa sirva para juntar alguns inocentes ao rol dos verdadeiros culpados, como o papel que acompanha o bombom que se bota fora. Repete-se assim, também aqui no DF – e não de forma inédita – um acontecimento que virou triste rotina em quase toda parte do Brasil. E quem achava que o estado de emergência desencadeado pela Pandemia poderia amainar tais propensões para o peculato, se enganou, pois o que se vê, junto com o aumento de infectados e de mortos pela Covid 19, é uma escalada das operações policiais, judiciais e administrativas relativas aos desvios. É imoral, claro, roubar diante de uma situação de ameaça à saúde pública, mas é bom lembrar que fora disso também o seria. Conclusão: é algo imperdoável, de fato. Ibaneis posa agora de justiceiro destemido, de dirigente que não tolera a corrupção, de defensor intransigente da coisa pública. Mas isso não resiste a um olhar mais agudo. Esta turma toda foi nomeada por ele e até bem pouco tempo atrás gozava de total prestígio. Será que só agora o governador descobriu os malfeitos que que vinham praticando, desde longa data? Mas a grade questão é: seria possível evitar a nomeação de gente assim tão “descuidada” para ocupar cargos públicos? Eu acho que a resposta é positiva, quase sempre – acompanhem meu raciocínio.

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Interesses singulares, prejuízos plurais

Esta semana as manchetes da imprensa, locais e nacionais, reproduzem o que já vai virando rotina no Brasil: a cúpula inteira da Secretaria de Saúde do DF foi parar na cadeia. Entre os presos o Secretário de Vigilância à Saúde, a quem inclusive elogiei aqui no blog, recentemente. Mas esclareço: não o condenarei por ora; continuo sendo um dos que acreditam que todo mundo é inocente, até prova em contrário. Aguardarei tal confirmação, portanto, antes de antepor algum veredito ou opinião pessoal. No país da Lava Jato tal atitude não é só uma questão de bom senso, mas de justiça verdadeira. Continuarei acreditando nisso mesmo que alguém venha ameaçar de “encher minha boca de porrada”. Mas cabe a pergunta: por que neste país tudo tem que ser sempre assim? Seria um dito Bíblico: onde houver Poder Público que haja sempre corrupção? Seria uma lei natural? Sempre me recordo daquele terremoto seguido de tsunami no Japão, alguns anos atrás. O aeroporto da cidade de Narita tinha lama na altura do segundo andar e aviões virados de ponta cabeça. Em uma semana voltou a funcionar de forma quase regular. Será que havia boas leis do tipo da brasileira 8.666 (Contratos e Licitações) por lá? Ou seriam outros os ingredientes, de fundo moral e de consciência política?

Dante Allighieri reservou, em seu Inferno, um lugar especial para os corruptos. eles seriam açoitados por um punhado de demônios, mergulhados em um tonel de piche fervente. Não chego a tanto, mas cá entre nós, penso que já era hora de esta turma ter um pouco de medo…

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