A morte assistida e digna deveria ser um Direito de Todos

Ao contrário do que alguns poderiam pensar ao me ver envolvido com um assunto como este, proclamo em alto e bom som: eu não amo a Morte. Não! Eu amo é a Vida! E é por estimar tanto esta valiosa propriedade do carbono, do hidrogênio e do oxigênio, que é a Vida, apenas cedida a mim por empréstimo, embora indevolvível, que tenho o desejo de transformar a morte, que a esta minha vida fatalmente se sucederá, em algo natural e até saudável. Acima de tudo, que a minha vida tenha um desfecho digno, aliás, não só para mim, como para todos que estiverem ao meu redor. E mais importante ainda: que o tema da Morte não cause repulsa e afastamento a ninguém, ao contrário, é preciso pensar nela nem que seja para escapar do verdadeiro infortúnio que é uma má morte. Sim, porque a meu ver existem boas e más mortes.  Não é que pretenda encerrar minha vida com data marcada, mais cedo ou mais tarde. Porém, não farei nenhum esforço para prolongá-la além da conta, o que não me impedirá que, ao fim e ao cabo, aceite apenas medidas para escapar do sofrimento físico, da dor e da perda de autonomia. Podem chamar de cuidados paliativos, se quiserem. É inegável que o debate sobre fim de vida está no centro das transformações globais em saúde. Neste sentido, a revista Time incluiu em uma lista que reúne os líderes mais influentes do mundo na área da saúde, um defensor da autonomia no fim da vida e presidente de uma organização que luta por isso, Kevin Díaz, a entidade Compassion & Choices, ampliando o debate sobre cuidado centrado no paciente,  inclusive sobre a possibilidade de assistência médica para morrer. A presença de um defensor do tema, como Diaz, nessa lista mostra que tal questão diz respeito atualmente à política pública e ao direito individual. O Brasil também precisa fazer essa conversa avançar. Um grupo de pesquisadores, juristas, profissionais da saúde, artistas e comunicadores lançou há cerca de um ano a associação Eu Decido, a primeira do Brasil dedicada ao direito à morte assistida, já com centenas de associados, à qual eu também já me filiei e procuro militar. Trago hoje aqui um artigo da advogada Luciana Dadalto, presidente da Eu Decido, que faz um apanhado sobre a o direito à morte digna e assistida em várias partes do mundo.

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