Vacinar ou não vacinar: o que está em jogo?

Teria sido um mundo ideal aquele que conhecemos até algum tempo atrás? Poderia me estender sobre diversos tópicos, mas falarei hoje do ato de vacinar, que virou um gesto cheio de meandros, suspeições, supostos perigos. Quando nada, dentro de um território de ideologia ou crença religiosa. Quando garoto, nos anos 50, fui testemunha ocular (além de potencial vítima) de dois grandes flagelos sanitários, hoje dominados (embora já não se saiba até quando): a varíola e a poliomielite. Com efeito, era relativamente comum ver gente de todas as idades com diversos graus de paralisia pelas ruas, e mesmo nas escolas onde estudei. Parecia fazer parte da paisagem. Havia também pessoas profundamente marcadas pelas cicatrizes da varíola na pele ou no rosto, sem contar aqueles que tinham falecido ou ficado cegos. Muitos desses aí estavam nos cemitérios, outros recolhidos em casa, e assim ficavam, por assim dizer, invisíveis aos olhos gerais. Nem que fosse por tais motivos tão óbvios e assustadores, a afetar colegas de escola e vizinhos de muro ou de corredor, as pessoas se vacinavam. Vacinar, então, fazia parte de um verdadeiro cardápio de cuidados nas famílias, com as eternas mães zelosas a garantir que isso fosse cumprido à risca pela filharada e mesmo pelos demais membros da família. Na ocasião, seria um fato absolutamente excepcional algum político ou pastor se meter em tal história. mas isso mudou em tempos recentes, como todos sabemos…

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