Seria Brasília uma cidade violenta (II)

Há poucos dias tratei de tal assunto aqui, lembrando que Brasília (e o DF como um todo), não são lugares violentos, pelo menos quando comparados com o restante do Brasil. Isso fica claro, por exemplo, quando se examinam os crimes contra a vida de maneira geral, as mortes por ação das polícias, as mortes dos próprios policiais, os roubos e furtos de veículos, além de algumas outras ocorrências. Quando se trata, entretanto, dos crimes contra o patrimônio, estelionatos por meio eletrônico, além de roubos e furtos de telefones celulares, nossa posição é bastante desfavorável. É bem verdade, também, que apesar da nossa taxa de mortes violentas intencionais ser baixa, em comparação com o país, em anos recentes foi observado um aumento discreto da mesma. Em injúria racial e racismo não estamos bem na fita, acima da média para o país, aliás, praticamente o dobro desta. Na proporção entre feminicídios e os homicídios em geral de mulheres, nossa posição também não é confortável. Vamos detalhar as informações com base no DF, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública (ver link abaixo).

Infelizmente, a maiorias das comparações que faremos aqui são com os estados, ou seja, na sua população como um todo, pois os dados relativos a capitais nem sempre estão atualizados o bastante para permitir uma comparação com Brasília, além de ser pouco compatível tal comparação, pela composição populacional diferente em um caso e outro.

Vamos falar aqui sempre de taxas por 100 mil habitantes, salvo indicações em contrário.

Nos homicídios em geral, tendo como ano base 2024 o Brasil teve 21,7 e o DF 13,0. Nossa vizinha Goiânia, por comparação, 16,1. Neste quesito, as taxas mais altas são as de Salvador 66,4; Macapá 55,8; Manaus 55,7, enquanto as mais baixas estão em Florianópolis 8,9; Curitiba 15,2, além do próprio DF. Neste aspecto, as dez capitais mais violentas do Brasil são: Salvador, Maceió, Macapá, Recife, Fortaleza, Porto Velho, Manaus, Terezina, Vitória e Belém. Estamos fora disso, portanto. Em termos de estados, AL tem a taxa mais alta, 29,5, enquanto SP a mais baixa, 5,5. O DF lidera a queda de homicídios no país (2014 – 2024): de 30,5 para 10,3. Em termos de homicídios estimados, ou seja, crimes que embora notificados de forma diferente provavelmente são homicídios verdadeiros, a taxa aqui é de 10,9, o que nos dá a posição de sermos o 2º lugar nacional. Nas mortes por arma de fogo, o percentual nacional é de 70%, enquanto no DF é de 40%, mostrando, também uma redução de redução de 80% no curto período de um ano. Outras taxas decrescentes por aqui são as de violência contra a mulher, violência racista e homicídio contra jovens. Ao contrário, a violência entre idosos teve aumento de 65%. No suicídio, o DF teve o 3º lugar nacional em volume, com taxas crescentes, com mais de 200 casos por ano

No trânsito, a taxa de mortalidade para o DF é de 9,43, enquanto para o Brasil, 20,12. As taxas mais altas são: PI 37,66; MT 36,5; TO 33,1; as mais baixas RJ 10,34; AM 11,87; SP 14,82.

Em termos de latrocínios, noBrasil,0,4, taxa igual à do DF. As taxas mais altas (maiores do que 0,7) estão em PA, MA e RR e as menores (do que 0,3) em SP, CE e SE

Policiais mortos em serviço (ou fora dele), em 2024 foi registrado um único caso no DF enquanto no CE, 12 casos; BA, 11; SP, 13; RJ, 51. Comparando, a taxa do DF foi de apenas 0,07, enquanto no RJ chegou a 0,57.

Para as mortes decorrentes da ação policial (PM + Civil), a taxa para o Brasil é de 3,1, enquanto aqui entre nós é de apenas 0,5. As maiores taxas estão em AP (17,1) e BA (10,5). Entre as taxas menores do país estão as do DF, RR, RO e SC, na mesma ordem de grandeza.

No roubo e furto veículos as taxas são: Brasil, 278, DF, 170. Os casos extremos, com taxas acima de 400, são RJ e PE; taxas abaixo de 100: GO, MT e RS

Em termos de roubos e furtos residenciais, para o Brasil 7,5; no DF 5,1. As maiores taxas (acima de 20) estão em AC, AP, RJ, PI, RS e RO.

Roubos e furtos de aparelhos celulares: Brasil,371,2; DF, 677,1 (!), simplesmente a maior taxa nacional.

No estelionato por meio eletrônico, Brasil 246,2; DF 856 (de novo “!”), junto com SC temos as maiores taxas nacionais.

Como já foi mencionado temos posição no mínimo desconfortável nos itens injuria racial e racismo, crimes contra LGBT+ e na proporção entre feminicídios e os homicídios em geral de mulheres.

Nem tudo são flores, portanto. Ou por outra: mesmo o que já está bom, como aqui, pode melhorar. Em termos nacionais, então, nem se fala…

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Para maiores detalhes, acesse diretamente: PLANILHA Anuario Brasileiro de Seguranca Publica 2026.xlsx

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