O Banco Mundial e a reforma do SUS

Os defensores mais ortodoxos do SUS, (leia-se, politicamente à esquerda) estão alarmados com dois eventos recentes, nestes primeiros dias de abril de 2019. O primeiro foi uma reunião da Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara do Deputados, em que se ouviu o economista do Banco Mundial, Edson Araújo, para discutir propostas de mudanças no SUS, nos termos daquilo que é justamente o segundo motivo de alarme para tal grupo: um relatório da referida instituição, no qual tais mudanças são colocadas de forma incisiva e urgente. Tais recomendações já haviam orientado alguns dos programas de candidatos à presidência em 2018 e seu objetivo, ao que parece, era justamente este. Como geralmente acontece entre os militantes do SUS, a simples menção a organismos internacionais, como o Banco Mundial ou a OMS, ainda mais se estão em foco suas propostas para o Brasil, provoca abalos tectônicos de altíssimo grau. Do outro lado, do Governo, por exemplo, a tendência é minimizadora. Poderíamos até mesmo dizer que se desenvolve um choque entre o “mi-mi-mi” e o “mi-ni-mi”, no qual a verdade costuma ficar debaixo de escombros… Vamos analisar o panorama nas linhas seguintes. Continue Lendo “O Banco Mundial e a reforma do SUS”

Sobre os Planos de Saúde para servidores do DF

“Todos são iguais, mas alguns são mais iguais do que os outros”. A questão é antiga e foi colocada por George Orwel, possivelmente no cenário de seu “1984” – ou seria em “A Revolução dos Bichos”? Na saúde e em outros ramos da atividade humana ela está sempre pulsante. Com efeito, se em um sistema de saúde que oferece cuidados como “direito de todos”, faz sentido que dentro desse coletivo “todos” haja privilégios para “alguns”? Na saúde o fato é notório. No Brasil, ainda nos anos 50, os funcionários dos Institutos Previdência Social já tinham realizado sua experiência de se afastar daquilo que eles próprios ofereciam “para todos” (os beneficiários da instituição), para criarem algo para si próprios, a famosa “Patronal”. E pelas décadas seguintes a moda se espalhou, a Patronal virou Geap e a maioria das empresas estatais e mesmo serviços de administração direta criaram seus programas de autogestão em saúde. Em outras palavras: para “os outros”, o SUS; para “nós”, serviços diferenciados. Continue Lendo “Sobre os Planos de Saúde para servidores do DF”

SUS, o santo de casa que não faz milagre

Criança, em BH, me lembro da história de um vizinho de bairro, o qual, gerente da Cia. Antarctica, mas apreciador da cerveja Brahma, passava por apuros sérios quando queria saborear sua favorita, pois não poderia ser visto, em hipótese alguma, cometendo tal tipo de infidelidade, ao mesmo tempo profissional e etílica. Lembrei-me da história ao ler na mídia que o servidor da saúde do DF, como, aliás, já acontece em outras paragens do Brasil, não precisará mais usar o SUS. Em outras palavras, SUS apenas para “os outros”, o povo, os comuns, os não-ungidos… Eis que agora, por obra do Governador que se despede, a turma do GDF terá seu próprio plano de saúde. Deduzo, então, que aquele lugar onde se trabalha, assim como no caso da cervejaria rival, não dispõe da confiança de quem ali presta serviços. “O que eu faço para os outros não é o bastante para mim” – para mim é clara a mensagem. Continue Lendo “SUS, o santo de casa que não faz milagre”

João de Deus e as Armas da Razão

Postei há poucos dias aqui no blog um comentário a respeito das crenças das pessoas sobre as chamadas terapias alternativas ou, em linguagem mais moderna, integrativas e complementares (PIC), deixando claro que tinha sérias dúvidas sobre a eficácia das mesmas. Citei o pesquisador Edzard Ernst, da Universidade de Exeter (Reino Unido), um crítico da homeopatia, a qual considera não só uma ilusão como “um dos piores exemplos da medicina baseada na fé”, deplorando o apoio estridente que a mesma recebe de celebridades e outros lobbies poderosos “no lugar de um desejo genuíno e humilde de explorar os limites de nosso conhecimento usando o método científico”. Os acontecimentos recentes envolvendo o “médium” (entre aspas mesmo, pois não sei exatamente o que significa isso e como se mede tal fenômeno) João de Deus, de Abadiânia, que além de seus eventuais méritos de cura (ou capacidade de sugestão) e de sua facilidade em acumular bens, se revelou um Don Juan implacável com suas pacientes e até mesmo uma filha. Tudo bem, a história ainda está sendo investigada (pela Polícia de Goiás, não por alguma entidade sobrenatural), de tal forma que devemos conceder a este senhor o benefício da dúvida. Mas não deixa de ser um ponto a mais para aqueles, como eu, que defendem que a boa e velha Ciência ainda tem seu lugar no mundo.   Continue Lendo “João de Deus e as Armas da Razão”

Em breve seremos três milhões e meio no DF. E a nossa Saúde?

A Codeplan divulga que o DF terá 3,4 milhões de habitantes em 2030, ou seja, mais 430 mil em relação ao momento atual. Entre estes, haverá cada vez mais idosos e cada vez menos jovens. Atualmente a população local é de 2,97 milhões. Se em 2010 os idosos representavam 7,6% da população, em 2030 chegarão a 16,6%; já os jovens cairão de 24,7% para 17,5%. São mudanças que seguem uma tendência nacional, e até universal, dado que as famílias estão tendo cada vez menos filhos, ao mesmo tempo em que se vive mais. E a saúde dessa gente? Continue Lendo “Em breve seremos três milhões e meio no DF. E a nossa Saúde?”